A UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) pediu desculpas publicamente pelo uso, no século XX, de cadáveres provenientes do Hospital Colônia de Barbacena em atividades de ensino.
A manifestação foi formalizada em declaração assinada pela então reitora Sandra Goulart Almeida e inclui o compromisso de desenvolver ações de memória em parceria com grupos da luta antimanicomial.
Reconhecimento de violação histórica
No documento, a universidade reconhece que o Hospital Colônia foi cenário de graves violações de direitos humanos.
“O Hospital Colônia de Barbacena e outras instituições psiquiátricas de Minas Gerais foram palco de uma das mais cruéis violações de direitos humanos já praticadas no Brasil”, afirma o texto.
Segundo a UFMG, pessoas internadas eram, muitas vezes, enterradas como indigentes ou tinham seus corpos destinados a instituições de ensino médico para aulas de anatomia.
Pedido de desculpas à sociedade
A universidade afirma que a prática violou a dignidade das vítimas.
“A UFMG pede desculpas à sociedade brasileira por essa prática que aviltou os corpos e a dignidade de pessoas falecidas no Hospital Colônia de Barbacena”, diz a declaração.
O que muda agora
Além do reconhecimento público, a instituição anunciou medidas para tratar o tema de forma permanente:
- ações de memória com grupos da luta antimanicomial
- restauração de registros históricos de cadáveres
- inclusão do tema em disciplinas de anatomia
As iniciativas seguem recomendações do Ministério Público Federal.
Prática atual segue regras éticas
A universidade destaca que, desde 1999, mantém um programa de doação de corpos para ensino baseado em consentimento voluntário. O modelo segue padrões legais e éticos adotados internacionalmente.
