O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quarta-feira (20/5) que a Câmara dos Deputados explique, em até 48 horas, a viagem internacional do deputado Mário Frias (PL-SP). A decisão foi tomada após tentativas frustradas de notificação do parlamentar por um oficial de Justiça.
Em entrevista ao SBT News, concedida na terça-feira (19/5), Frias afirmou que esteve no Bahrein na semana passada para “propor investimentos no Brasil” e que agora está nos Estados Unidos para buscar um “investimento em segurança pública”.
O deputado também declarou que retornará ao Brasil nos próximos dias.
“Eu tenho passagem de volta para o Brasil. Tenho uma filha de 14 anos no Brasil, a minha esposa está no Brasil. Não devo nada e estou pronto para prestar contas”, afirmou.
Tentativas de notificação
Segundo a decisão do STF, o oficial de Justiça tentou localizar Mário Frias ao menos cinco vezes, sem sucesso.
Na quarta-feira (13/5) da semana passada, o gabinete do deputado informou por telefone que ele estava em “missão internacional” e sem previsão de retorno.
Já na segunda-feira (18/5), o servidor esteve em um endereço ligado ao parlamentar em Brasília, mas foi informado pelo porteiro do prédio que Frias não mora no local há cerca de dois anos.
Investigação envolve filme sobre Bolsonaro
Mário Frias é alvo de uma apuração preliminar no STF sobre o envio de R$ 2 milhões em emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil. A entidade é ligada à produtora audiovisual Go Up Entertainment, responsável pela cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O filme, chamado Dark Horse, ainda não foi lançado e retrata a trajetória política de Bolsonaro. Frias é apontado como produtor-executivo da obra.
O caso chegou ao Supremo após representação apresentada pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP).
A defesa de Frias nega irregularidades nas emendas parlamentares e afirma que um parecer da Advocacia da Câmara não identificou inconsistências ou vícios formais no repasse dos recursos.
Conversas reveladas ampliaram repercussão
O filme voltou ao centro do debate após o site The Intercept divulgar conversas em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria pedido recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar as gravações.
Após a divulgação, Flávio Bolsonaro negou qualquer irregularidade e afirmou que os recursos discutidos eram privados.
