A queda de uma égua dentro de uma adutora da Copasa, que deixou mais de 700 bairros de Belo Horizonte e da região metropolitana sem abastecimento, também levantou dúvidas sobre possíveis riscos de contaminação da água distribuída à população. O animal caiu na estrutura na segunda-feira (4/5), mas só foi localizado e retirado nesta quarta-feira (6/5).
Em nota enviada à Rede 98, na noite desta quarta, a Copasa reafirma ter descartado integralmente “toda a água presente no trecho afetado da tubulação de 2,4 metros”. “Nenhum volume que teve contato com a ocorrência foi enviado para consumo. Após a retirada do animal, a adutora passou por um rigoroso processo de limpeza e desinfecção com dosagem reforçada de cloro”, informa a companhia no comunicado.
“Análises laboratoriais foram intensificadas em tempo real e não detectaram qualquer tipo de anomalia ou contaminação”, continua a Copasa (leia a nota na íntegra ao fim do texto).
Risco de contaminação a humanos é baixo
Ao analisar o caso, Leandro Curi, médico infectologista, explicou que cavalos não costumam estar entre os principais transmissores de doenças infecciosas para humanos, mas que podem carregar bactérias e outros micro-organismos na pele e no corpo, principalmente se estiveram em contato com terra, lama ou fezes antes do contato com a água. “Um cavalo que entra na água que nós vamos consumir pode carrear bactérias na pele. Ele vira um vetor mecânico dessas infecções”, afirmou.
Segundo o infectologista, o risco mais provável em situações desse tipo está relacionado a doenças gastrointestinais provocadas pela ingestão de água contaminada. Entre os principais sintomas estão diarreia, febre, dores abdominais, mal-estar, perda de apetite e prostração. “Eu acho que é mais fácil ocorrer diarreias e gastroenterites importantes do que outras infecções diretamente transmitidas do cavalo para o ser humano”.
Em caso de ingestação de água contaminada, idosos e crianças tendem a ser mais vulneráveis a esse tipo de infecção, embora qualquer pessoa possa desenvolver sintomas.
Tratamento da Copasa é eficaz, diz médico
Apesar das preocupações, o especialista ressalta que o tratamento convencional da água realizado pela Copasa é eficaz para eliminar grande parte dos agentes infecciosos. Os filtros domésticos também reforçam a segurança da água. Ele explica que não há necessidade de ferver a água ou utilizar produtos adicionais após a retomada do abastecimento.
“O cloro neutraliza várias bactérias, elimina vírus infecciosos e pode matar alguns micro-organismos maiores, como ameba e giárdia. O cloro é muito eficaz”, disse. “Isso [ferver a água] só é recomendado em locais onde não existe estrutura adequada de tratamento de água e esgoto. Não é o caso daqui”, afirmou.
Agência reguladora acompanha o caso
A Arsae Minas (Agência Reguladora de Saneamento e Energia de Minas Gerais) informa ainda que a adutora onde ocorreu o incidente já fazia parte do planejamento de fiscalizações operacionais da agência e que o ponto será alvo de uma verificação específica e detalhada.
A fiscalização deve abranger tanto os procedimentos de sanitização e desinfecção realizados pela Copasa quanto o monitoramento da qualidade da água distribuída à população.
Caso incomum
Segundo a agência reguladora, o caso é considerado incomum pela dimensão do impacto no abastecimento. Não há registros amplamente conhecidos no Brasil de um episódio semelhante envolvendo a queda de um animal de grande porte dentro de uma adutora responsável pelo abastecimento de centenas de bairros em diferentes cidades.
A Arsae informa que acompanha continuamente as ações adotadas pela Copasa e destacou que, neste momento, “o mais importante é garantir a segurança sanitária e a potabilidade da água distribuída à população”.
Em nota, a agência afirma que existem protocolos técnicos e sanitários específicos para situações desse tipo, voltados à prevenção de possíveis contaminações microbiológicas e macroscópicas. Segundo a Arsae, esses procedimentos devem ser “rigorosamente executados” antes da retomada integral do abastecimento.
A Arsae-MG também destaca que a atuação preventiva adotada pela Copasa, com a interrupção do sistema e o descarte da água do trecho afetado, segue o princípio da precaução e da proteção à saúde pública.
A agência ressalta ainda que o abastecimento só deve ser normalizado após validação laboratorial dos parâmetros de potabilidade da água.
Nota da Copasa na íntegra
“Conclusão da operação no Sistema Rio das Velhas e garantia da qualidade da água
A Copasa informa que o sistema de produção de água do Rio das Velhas voltou a operar às 8h desta quarta-feira (06/05), após a conclusão bem-sucedida de uma operação de alta complexidade para a retirada de um animal de grande porte de uma de suas principais adutoras. A companhia reitera que, durante todo o processo, a prioridade absoluta foi o compromisso inegociável com a saúde pública e a qualidade da água.
Garantia sanitária e descarte de água
Como medida de segurança máxima, a Copasa realizou o descarte integral de toda a água presente no trecho afetado da tubulação de 2,4 metros. Nenhum volume que teve contato com a ocorrência foi enviado para consumo. Após a retirada do animal, a adutora passou por um rigoroso processo de limpeza e desinfecção com dosagem reforçada de cloro.
Análises laboratoriais foram intensificadas em tempo real e não detectaram qualquer tipo de anomalia ou contaminação. A companhia assegura que a água distribuída à população é potável e atende rigorosamente a todos os padrões de segurança do Ministério da Saúde, não sendo necessário ferver a água para o consumo.
Detalhes da operação técnica
A localização do animal exigiu o uso de tecnologia de ponta, incluindo drones voadores, subaquáticos e robôs de inspeção, visto que a adutora é um ambiente de acesso restrito e confinado. O animal foi detectado na madrugada de hoje e, para viabilizar sua retirada preservando a integridade da rede, as equipes de engenharia precisaram desmontar um trecho estratégico da tubulação na região do Taquaril.
Previsão de normalização
A recuperação do abastecimento em Belo Horizonte e Região Metropolitana ocorrerá de forma gradual ao longo desta quarta-feira. Em áreas mais elevadas ou extremidades de rede, a normalização completa poderá se estender até a quinta-feira (07/05). A Copasa solicita aos moradores que mantenham o consumo consciente das reservas domiciliares durante este período de pressurização do sistema.
Segurança da infraestrutura
A companhia esclarece que o acesso do animal ocorreu devido à quebra de uma tampa de concreto armado de uma caixa de inspeção, possivelmente pelo peso excessivo do animal. A referida tampa já foi substituída e a Copasa iniciou uma vistoria preventiva em todos os acessos dessa adutora. Por se tratar de uma estrutura que atravessa terrenos particulares (regime de servidão), o cercamento total não é permitido, mas a segurança técnica das visitas de inspeção será reforçada para evitar incidentes inéditos como este.
A Copasa permanece à disposição e manterá o suporte via caminhões-pipa para hospitais e unidades de saúde até que o sistema esteja 100% estabilizado”.
