PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Nova lei que obriga empresas a cuidar da saúde mental dos funcionários entra em vigor

Por

Redação

Siga no

A mudança faz parte da atualização da Norma Regulamentadora 1 (Pixabay)

Compartilhar matéria

Entrou em vigor nesta terça-feira (26/5) a nova regra que obriga todas as empresas do país a identificar, avaliar e gerenciar os riscos psicossociais no ambiente de trabalho. A mudança faz parte da atualização da Norma Regulamentadora 1 (NR-1), do Ministério do Trabalho e Emprego, e passa a valer oficialmente hoje, sem previsão de novo adiamento.

Com a nova exigência, empresas que descumprirem as regras podem ser autuadas e multadas em até R$ 6 mil por empregado, dependendo da gravidade da infração e do porte da companhia.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

É a primeira vez na história da legislação trabalhista brasileira que o adoecimento mental relacionado ao trabalho passa a receber o mesmo tratamento legal dado aos riscos físicos, químicos e ergonômicos. A norma entra em vigor em meio ao avanço recorde dos afastamentos por transtornos mentais no país: somente em 2025, o Brasil registrou 546 mil licenças por ansiedade, depressão e outros transtornos psicológicos.

O que muda com a NR-1 atualizada

A nova versão da NR-1 determina que as empresas passem a incluir os chamados riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), documento obrigatório utilizado para mapear perigos no ambiente de trabalho.

Na prática, o gerenciamento deverá contemplar situações como metas abusivas, jornadas excessivas, assédio moral, conflitos interpessoais, pressão constante, falta de autonomia e condições que provoquem sobrecarga emocional contínua nos trabalhadores.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

A fiscalização seguirá o mesmo modelo já utilizado para outros riscos ocupacionais. A partir de hoje, auditores do trabalho poderão cobrar adequações e aplicar penalidades em caso de descumprimento.

Por que a lei surgiu agora: os números que preocupam

A atualização da NR-1 ocorre em meio ao crescimento contínuo dos afastamentos por transtornos mentais no Brasil. Dados do Ministério da Previdência Social mostram que os registros aumentam pelo quinto ano consecutivo.

Segundo levantamento da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT), o volume de afastamentos em 2025 foi 79% maior do que o registrado em 2023.

A ansiedade gerou 166.489 licenças médicas no ano passado, enquanto a depressão foi responsável por 126.608 afastamentos. Os casos de ansiedade praticamente dobraram em dois anos: passaram de 81.874 registros em 2023 para 157.235 em 2025.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Somados, ansiedade e depressão já aparecem entre as principais causas de afastamento do trabalho no país, atrás apenas das doenças da coluna.

O impacto financeiro também chama atenção. O custo para o INSS com afastamentos por transtornos mentais chegou a R$ 3,5 bilhões em 2025.

“A saúde mental passou a ocupar um espaço central entre as causas de incapacidade laboral no país, exigindo uma resposta técnica e preventiva muito mais consistente”, afirmou Francisco Cortes Fernandes, representante da ANAMT.

O que leva o trabalhador ao adoecimento mental

A coordenadora da Comissão de Saúde e Ambiente do Trabalho do Ministério da Saúde, Luciane Aguiar, aponta os fatores mais recorrentes relacionados ao adoecimento psicológico no ambiente profissional.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

“São longas jornadas, dificuldade de deslocamento até o trabalho, baixos salários, vínculos precários, pressões constantes e trabalhos repetitivos”, explicou.

A médica do trabalho Leticia Maria Akel Mameri Trés, vice-coordenadora da Comissão de Psiquiatria do Trabalho da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), cita os sinais mais frequentes observados nas empresas.

“Irritabilidade, dificuldade de concentração, tensão muscular, insônia, sensação de urgência constante e queda progressiva da produtividade”, destacou.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Entre as profissões com mais afastamentos por transtornos mentais em 2025 estão vendedores do comércio varejista, faxineiros, professores, enfermeiros, auxiliares de escritório e assistentes administrativos, segundo dados do INSS cruzados com a plataforma SmartLab, do Ministério Público do Trabalho.

Compartilhar matéria

Siga no

Webstories

Mais de Entretenimento

Mais de Brasil

TCU aprova com ressalvas contas do governo Lula de 2025 

CNJ abre processo contra desembargador acusado de crimes sexuais

Operação mira supostos infiltrados do PCC e prende ex-estagiário do MP, policial e ex-agente em São Paulo

Brasil vai parar vacinação contra dengue com imunizante do Butantan após mortes suspeitas

CNH sem multas: nova lei permite renovação automática da Carteira Nacional de Habilitação

Acordo de delação de Daniel Vorcaro entra em semana decisiva de negociações

Últimas notícias

Toffoli propõe 60 dias para big techs se adequarem a regras do STF

Após aprovação de ‘pautas-bomba’ no Senado, Gilmar Mendes alerta para gastos sem fonte de custeio

Fundo do Pré-Sal para dívidas do agro; entenda o projeto aprovado pelo Senado

Fazenda estima impacto de R$ 140 bilhões e ameaça ir ao STF contra renegociação de dívidas rurais

‘Famílias estão sendo destruídas pelo endividamento’, diz Wagner após suspensão de projeto contra bets

Irã anuncia fechamento do Estreito de Ormuz após nova ofensiva dos Estados Unidos

‘Novo Cissé’: Atlético se aproxima de contratação de nova joia africana

Dólar fecha em leve queda com núcleo de CPI dos EUA subindo menos do que o esperado

EUA realizam nova ofensiva contra o Irã pelo segundo dia consecutivo