A Justiça italiana adiou para 24 de novembro a audiência que analisaria nesta terça-feira (27/10) o pedido de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP). A defesa solicitou o adiamento por não ter tido acesso aos documentos enviados pelo governo brasileiro, e o pedido foi aceito pela Corte de Apelação de Roma.
A sessão avaliaria as garantias do Brasil sobre as condições de detenção e a assistência médica que Zambelli receberia caso fosse extraditada. A ex-deputada alega ter fibromialgia e sofrer episódios de desmaio.
O governo brasileiro apresentou novas informações para responder aos questionamentos dos magistrados. O advogado Eduardo Maurício, que representa Zambelli, afirmou que extraditá-la “seria o mesmo que entregá-la à morte”.
Em julho, a Justiça italiana anulou a decisão que autorizava a extradição e determinou uma nova análise do pedido brasileiro. Os magistrados rejeitaram a tese de perseguição política apresentada pela defesa, mas exigiram garantias sobre o atendimento médico na prisão.
Condenação por perseguição armada em São Paulo
Em agosto de 2025, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Zambelli a cinco anos e três meses de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal.
O caso ocorreu na véspera do segundo turno das eleições de 2022, quando a então deputada perseguiu, armada, um homem negro pelas ruas do bairro dos Jardins, em São Paulo, após uma discussão política.
Itália rejeitou outro pedido de extradição
Em maio de 2026, a Corte Suprema de Cassação da Itália rejeitou outro pedido de extradição de Zambelli, relacionado à condenação a dez anos de prisão pela invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Na decisão, os magistrados apontaram “diversos elementos” que, segundo eles, levantavam dúvidas sobre a imparcialidade do STF no processo. Entre os pontos citados estava a atuação de Alexandre de Moraes como julgador e como pessoa considerada prejudicada por um dos crimes atribuídos à ex-deputada.
Zambelli estava presa desde julho de 2025, mas foi solta após a decisão da Justiça italiana.
