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Atlas da Violência aponta que negros têm 170% mais risco de homicídio no Brasil

Por

Igor Teixeira

Igor Teixeira
  • 26/05/2026
  • 14:22

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Divulgado nesta terça-feira (26), o estudo realizado pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública detalha o panorama de 2024.(Foto:Fernando Frazão/Agência Brasil)

Divulgado nesta terça-feira (26), o estudo realizado pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública detalha o panorama de 2024.(Foto:Fernando Frazão/Agência Brasil)

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O Brasil registrou 32.820 homicídios de pessoas negras em 2024, o equivalente a 77% de todos os assassinatos do país. Os dados fazem parte do Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça-feira (26/05) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Na prática, quase 90 pessoas negras foram assassinadas por dia no Brasil no ano passado.

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Segundo o levantamento, a taxa de homicídios entre negros foi de 27,3 mortes para cada 100 mil habitantes. Entre não negros, grupo que reúne pessoas brancas, amarelas e indígenas, a taxa foi de 10,1. Isso significa que pessoas negras tiveram risco 170,3% maior de serem assassinadas no país.

O estudo aponta ainda que uma pessoa negra teve 2,7 vezes mais chances de morrer vítima de homicídio do que uma pessoa não negra.

Atlas aponta desigualdade racial persistente

Embora o Atlas registre queda nos índices gerais de violência letal no Brasil, os pesquisadores afirmam que a redução não ocorreu da mesma forma entre os diferentes grupos sociais.

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O país registrou 42.590 homicídios em 2024, taxa de 20,1 casos por 100 mil habitantes, o menor índice da série histórica iniciada em 2014.

Mesmo assim, os dados mostram desigualdade racial persistente na violência letal. Entre 2014 e 2024:

  • Os homicídios de pessoas não negras caíram 38,9%;
  • Entre pessoas negras, a redução foi de 21,7%.

Ao longo dos últimos 11 anos, 435.551 pessoas negras foram assassinadas no Brasil. Entre não negros, o número foi de 132.156 vítimas.

Alagoas e Amapá lideram desigualdade racial nos homicídios

A disparidade racial aparece de forma mais intensa em alguns estados. Segundo o Atlas:

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  • Em Alagoas, negros têm 23,3 vezes mais chances de serem assassinados;
  • No Amapá, o risco relativo é 16,7 vezes maior;
  • Em Sergipe, a diferença chega a 6,8 vezes.

No recorte geral por estados, as maiores taxas de homicídio do país foram registradas em:

  • Amapá: 45,7 mortes por 100 mil habitantes;
  • Bahia: 40,9;
  • Pernambuco: 37,3;
  • Alagoas: 35,9;
  • Ceará: 34,3.

Já as menores taxas foram registradas em:

  • São Paulo: 6,6;
  • Santa Catarina: 8,1;
  • Distrito Federal: 10,3.

Jovens negros seguem no centro da violência

O levantamento mostra que a juventude negra continua sendo a principal vítima da violência letal no país.

Entre 2014 e 2024, 301.825 jovens de 15 a 29 anos foram assassinados no Brasil, média de 75 mortes por dia. Somente em 2024, foram 19.801 jovens mortos. Do total:

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  • 18.545 eram homens;
  • A taxa de homicídios entre jovens do sexo masculino chegou a 78 mortes por 100 mil habitantes.

Segundo o Atlas, dos 54 jovens assassinados diariamente no Brasil, 51 são homens. Entre adolescentes de 15 a 19 anos, armas de fogo foram utilizadas em 84,1% dos homicídios.

Mulheres negras concentram maioria das vítimas de homicídio

Os homicídios de mulheres caíram 27,7% entre 2014 e 2024 no Brasil, atingindo o menor índice da série histórica. Apesar disso, os assassinatos dentro do ambiente doméstico praticamente não sofreram redução, o que, segundo os pesquisadores, indica manutenção dos feminicídios.

O Atlas aponta que mulheres negras seguem como as principais vítimas da violência letal feminina no país. Em 2024:

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  • 2.457 mulheres negras foram assassinadas;
  • Elas representaram 67,5% dos homicídios femininos;
  • A taxa de homicídios entre mulheres negras foi 66,7% maior do que entre mulheres não negras.

A pesquisa também identificou alta reincidência de violência doméstica. Segundo o levantamento, 66,2% das mulheres atendidas pela rede de saúde relataram múltiplos episódios de agressão no mesmo ano.

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Jornalista formado pelo Centro Universitário UNA, é repórter de cidades e política da 98FM. Tem passagens pela TV Alterosa e Itatiaia.

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