O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (NOVO), não pretende abrir mão de disputar a Presidência da República como cabeça de chapa em 2026, mesmo diante das conversas em andamento com o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD).
Segundo interlocutores ouvidos pela reportagem da Rede 98, Zema avalia que seu projeto nacional foi construído para disputar o Palácio do Planalto como protagonista, embora aliados reconheçam que uma aliança entre os dois nomes da direita deve acontecer.
A movimentação ganhou força após Caiado admitir publicamente que está aberto a uma composição com Zema. Os dois candidatos se reuniram nesta terça-feira (26/05) para discutir cenários eleitorais e possíveis convergências políticas para 2026.
Conversas avançam em meio à reorganização da direita
Nos bastidores, aliados dos dois políticos afirmam que Caiado e Zema compartilham um diagnóstico parecido: a direita pode precisar de uma candidatura mais ampla, capaz de dialogar com setores do empresariado, mercado financeiro, agronegócio e parte do eleitorado conservador fora do núcleo mais radical do bolsonarismo.
A avaliação de integrantes dos dois grupos políticos é que a fragmentação de candidaturas pode enfraquecer o campo conservador, principalmente diante das dificuldades enfrentadas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) nas últimas semanas, devido ao caso com o Vorcaro.
Mesmo assim, interlocutores de Zema afirmam que o governador mineiro não demonstra disposição para ocupar posição secundária em uma eventual chapa presidencial.
Caiado fala em “credibilidade política”
Ao comentar a possibilidade de união com Zema, durante uma entrevista nesta quarta-feira (27) a rádio Nova Difusora, em São Paulo, Caiado classificou uma eventual chapa como um “atestado de credibilidade política” e um “respiro” para o eleitorado que busca romper com a polarização nacional.
O ex-governador goiano também afirmou que teve uma conversa “muito produtiva” com Zema e defendeu que ambos mantenham encontros frequentes daqui para frente.
Já Zema, em declarações recentes, evitou fechar portas para uma composição, mas indicou que qualquer definição deve acontecer apenas mais próximo do calendário eleitoral.
“Essas conversas sempre ocorrem e, com toda certeza, o desfecho disso vai ser lá na data-limite. Porque, na política, é na meia-noite da data-limite que as coisas costumam ser definidas”, afirmou o governador mineiro durante encontro com investidores.
Relação de Zema com bolsonarismo esfriou
A aproximação entre Zema e Caiado também ocorre em meio ao desgaste da relação do governador mineiro com setores ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Nas últimas semanas, Zema fez críticas públicas ao senador Flávio Bolsonaro após a divulgação de áudios envolvendo o parlamentar e o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Antes disso, integrantes do PL chegaram a cogitar Zema como possível vice em uma chapa ligada à família Bolsonaro.