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Setor de carnes em Minas vê risco econômico com tarifa dos EUA: ‘É um choque para a gente’

Por

Roberth R Costa

Roberth R Costa
  • 11/07/2025
  • 09:03

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Presidente do Sinduscarne marcou presença na 98 News nesta sexta-feira (98 News/Reprodução)

Presidente do Sinduscarne marcou presença na 98 News nesta sexta-feira (98 News/Reprodução)

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O anúncio do governo dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras de aço e carne bovina a partir de 1º de agosto acendeu o alerta em diferentes setores. Em Minas Gerais, o impacto direto recai sobre a cadeia da carne bovina, com reflexos tanto para produtores quanto para frigoríficos.

Quem alerta para o risco é Pedro Braga, presidente do Sinduscarne, instituição que representa o setor. Em entrevista à 98 News nesta sexta-feira (11/7), ele afirmou que a medida pode prejudicar toda a cadeia agroindustrial, especialmente os frigoríficos com habilitação para exportar aos EUA.

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“É um choque para a gente, né? Essa taxa… o nosso principal produto aqui do meu setor é a carne bovina. Ela já sofreu uma sobretaxa no passado de 26,4%. Isso tem impactado, mas não prejudica as exportações. Continuamos exportando bastante.”

“Aqui no setor, dentro de Minas, a gente tem o frigorífico do Minerva, de Janaúba, que tem habilitação para exportação para os Estados Unidos. E um mercado com uma taxa dessa vai sofrer, sim. Toda a cadeia agroindustrial — tanto a indústria quanto os produtores — acabam sofrendo esse impacto. É uma taxação muito pesada.”

Segundo Pedro, o setor ainda não sabe se os 50% anunciados serão somados à sobretaxa anterior ou se substituem o percentual já aplicado.

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“A gente ainda não sabe se esses 50% vão ser adicionados a essa taxa de 26,4% que nós já tínhamos ou se vai ser 50% flat. Então a gente ainda tá tentando dimensionar e entender melhor como que vai ser essa questão aqui para a cadeia produtiva.”

Redirecionamento para o mercado asiático

Diante da possível perda de competitividade no mercado norte-americano — o segundo maior comprador da carne bovina brasileira, atrás apenas da China — o setor já discute alternativas para redirecionar as exportações.

“O Brasil tem feito esse trabalho de ampliar o leque de exportações. Nós temos a China, o Vietnã voltou a comprar agora, temos Japão também. Tem uma força. Mas redirecionar todas essas cadeias… a gente tem bastante carga em trânsito. Isso tudo leva algum tempo.”

“Temos aí mais duas, três semanas para negociar e ver se essa taxa vai chegar mesmo em 50%. Mas, se não, o Brasil já vem fazendo todo esse trabalho. Nós temos muita qualidade, nós temos um padrão sanitário de excelência.”

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Efeito nos preços internos

O aumento da oferta doméstica de carne, caso se confirme uma queda brusca nas exportações, levanta dúvidas sobre o impacto nos preços internos. Mas o presidente do setor descarta, por ora, esse cenário.

“Tanto nos Estados Unidos quanto aqui no Brasil, a gente tem tido uma redução na cadeia da agroindústria. Então, está reduzindo a oferta de gado. No primeiro momento, a gente acredita numa estabilização dos preços até que isso se ajuste.”

“Se eles [os EUA] não comprarem do Brasil, eles também estão com déficit de produção de gado. Então têm que comprar de outros países. Eu não acredito num aumento nem numa sobreoferta aqui no mercado interno, não.”

Carne brasileira na indústria dos EUA

A carne exportada para os EUA, segundo Pedro Braga, é usada principalmente na indústria de processados, como hambúrgueres e embutidos.

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“Os Estados Unidos compram muita carne para a indústria do Brasil. São os processados — hambúrgueres, linguiças e outros produtos. Isso vem do Brasil.”

Sobre outros mercados potenciais, o presidente cita que cada país tem suas exigências sanitárias e padrões próprios, o que dificulta mudanças imediatas.

“Cada país tem um padrão sanitário, um tipo de consumo. A gente tem que redirecionar essas cadeias, verificar quais países conseguem integrar isso. A China compra bastante, o Vietnã é um potencial cliente. A União Europeia ainda tem uma proteção muito grande dos produtores de lá, então acabam não comprando tanto. Mas é um potencial cliente também.”

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“As associações brasileiras, os fornecedores… a gente tem habilitação para os países mais exigentes. É questão de tempo para conseguir adequar essas cadeias internacionais.”

Solução precisa passar pelo diálogo

Diante do cenário de incerteza, Pedro defende que a negociação deve partir dos governos, com envolvimento dos setores e foco em minimizar o impacto para consumidores dos dois países.

“Os Estados Unidos têm deficiência de produção, apesar de serem os maiores produtores. Eles ainda importam muita carne nossa para a indústria. Repor essa cadeia e estabilizar isso lá dentro é muito impactante.”

“O consumidor americano vai sofrer bastante lá na ponta. A carne deles vai encarecer no curto prazo se essas tarifas forem aplicadas. E o Brasil tem esse problema também. A solução tem que partir pelo diálogo dos governos. A gente tem que estudar bem essa questão para não penalizar a população dos dois países.”

Ao encerrar a entrevista, Pedro Braga reforçou que o Brasil, especialmente Minas Gerais, tem capacidade produtiva e qualidade reconhecida. Para ele, o país precisa trabalhar com diplomacia e planejamento.

“O Brasil, principalmente Minas, tem qualidade, tem capacidade, tem cadeia agroindustrial. A gente tem que transformar esse potencial com estratégia e trazer o melhor para o país. A gente tem que ter diplomacia e previsibilidade para continuar trabalhando e entregar qualidade na mesa das pessoas.”

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