PUBLICIDADE
CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Tornado em Rio Bonito é o pior da história recente do PR

Siga no

Meteorologista classificou tornado no Paraná como o mais severo em décadas (Reprodução / Agência Brasil)

Compartilhar matéria

O tornado que atingiu o Paraná nesta sexta-feira (7/11), já é considerado o evento de tempestade mais devastador da história recente do estado, com ao menos seis mortos, 773 feridos e mais de 80% de Rio Bonito do Iguaçu afetada, segundo o Simepar, após ventos estimados em 250 km/h deixarem um rastro de destruição no município.

Sheila Paz, meteorologista do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), detalhou as causas, a dimensão e as implicações climáticas do tornado. Ela explicou que a passagem de uma frente fria associada à formação de um ciclone na costa do Rio Grande do Sul deu origem a supercélulas de tempestade que levaram à formação do tornado.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

O Simepar ainda investiga a ocorrência exata, mas a meteorologista confirma que três tornados foram registrados no Estado entre as 18h e as 20h de sexta-feira. O mais intenso atingiu Rio Bonito do Iguaçu, com ventos estimados em 250 km/h, o que corresponde à categoria F3 na escala Fujita, usada para medir a intensidade de tornados.

“É um tornado extremamente violento e devastador, o pior evento de tempestade da história recente do Paraná”, afirmou Sheila, acrescentando que cerca de 80% da cidade foi afetada. Registros mostram que as rajadas provocaram destelhamento de residências, além de quedas de árvores e postes.

Apesar do impacto, Sheila explicou que tornados não são fenômenos desconhecidos na região. “Eles fazem parte da nossa climatologia. O que aconteceu foi que esse passou exatamente sobre uma cidade pequena, o que fez o estrago ser amplamente sentido”, disse. Ela destacou que muitos eventos semelhantes ocorrem em áreas rurais, sem deixar registros visíveis ou danos significativos.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Segundo a meteorologista, a primavera é uma estação especialmente crítica, marcada pela passagem de frentes frias e tempestades intensas. “Nos últimos dois meses, tivemos várias tempestades severas no Paraná e em toda a região Sul. Estamos vivendo uma temporada muito movimentada”, afirmou.

O que causou a formação do tornado?

Conforme o Simepar, os temporais na região estão associados a uma combinação de fenômenos que incluem o deslocamento de uma frente fria impulsionada por um sistema de baixa pressão atmosférica formado entre o Paraguai e o sul do Brasil, ao mesmo tempo que um ciclone extratropical se desloca do continente para o oceano.

“Observamos o avanço de uma frente fria associada a um ciclone bem estruturado entre o litoral gaúcho e o Atlântico. À frente dessa frente fria, se formaram células de tempestade que evoluíram para supercélulas. Dentro delas, houve a formação dos tornados”, explicou Sheila.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

O evento desta semana foi agravado por um ambiente atmosférico altamente instável, com “grande corredor de umidade e temperaturas elevadas” no interior do Estado, favorecendo o surgimento de supercélulas. “O ciclone trouxe umidade e energia em excesso e, quando encontrou calor no interior, criou as condições ideais para a formação desses sistemas”, explicou.

Diferença entre tornado, ciclone e furacão

Um dos principais pontos de confusão entre o público é a diferença entre tornado, ciclone e furacão. Sheila explica que são fenômenos distintos, tanto em escala quanto em duração.

“O furacão é um sistema gigantesco, com centenas de quilômetros de extensão, formado sobre oceanos tropicais. Ele mantém ventos muito fortes por horas ou dias, como o furacão Melissa, que passou pela Jamaica recentemente”, afirmou.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

“Já o tornado tem dezenas de metros de diâmetro, forma-se dentro de uma supercélula e dura poucos segundos ou minutos. No caso do Paraná, a destruição observada ocorreu em cerca de 30 segundos “

O ciclone, por sua vez, é uma área de baixa pressão atmosférica, e pode ser o ponto de partida para uma frente fria e tempestades severas, como as que atingiram o Paraná. “O ciclone que se formou na costa do Rio Grande do Sul ajudou a organizar a frente fria, que por sua vez criou o ambiente propício às supercélulas. Dentro delas, surgiram os tornados”, explicou.

Sheila lembra que o Brasil só registrou um furacão verdadeiro em sua história: o Furacão Catarina, em 2004, que atingiu o litoral de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. “Furacões não pertencem à nossa climatologia, mas supercélulas e tornados sim”, explicou.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Mudanças climáticas

Embora tornados façam parte da climatologia do Sul, Sheila reconhece que há sinais de mudança. “Os estudos mais recentes indicam aumento da intensidade e da frequência. Esses fenômenos sempre existiram, mas hoje acontecem com mais força e são registrados com mais facilidade. Essa chavinha já virou.”

Para a meteorologista, a situação observada no Paraná se soma a um quadro mais amplo de eventos extremos na região. “O que vimos no Rio Grande do Sul no ano passado mostra que o clima está mudando. Temos tempestades mais severas, mais destrutivas, e isso exige preparo e investimento em monitoramento”, disse.

A meteorologista reforça que, diante de um cenário climático mais severo, a educação da população e o fortalecimento dos sistemas de alerta são fundamentais. “É essencial que as pessoas saibam como agir diante de uma tempestade. Alertas precisam chegar com antecedência e a população precisa entender a gravidade desses eventos. Só assim conseguiremos reduzir o impacto humano e material.”

*Com informações de Agência Estado

Compartilhar matéria

Siga no

Carol Ferraris

Jornalista, pós graduada em produção de jornalismo digital pela PUC Minas. Produtora multimídia de entretenimento na Rádio 98, com passagens pelo Estado de Minas e TV Alterosa.

Webstories

Mais de Entretenimento

Mais de Notícias

CNH: carros automáticos e toxicológico entram nas novas regras de habilitação

Gilmar nega pedido da AGU para reconsiderar decisão sobre impeachment

STF forma maioria para condenar cinco PMs do DF a 16 anos pelo 8/1 

Última superlua de 2025 ocorre nesta quinta; veja horário e como observar

Mega-Sena sorteia nesta quinta-feira prêmio acumulado em R$ 8 milhões

AGU pede que Gilmar Mendes reconsidere decisão sobre impeachment de ministros

Últimas notícias

EUA orientam saída imediata de cidadãos americanos da Venezuela

Quando a transição energética bate à porta, pede inteligência, não medo

Câmara de BH abre processo de cassação contra Lucas Ganem

Em alinhamento com a COP30, Ministério da Saúde lança plano de R$ 9,8 BI para adaptar o SUS às mudanças climáticas

PIB desacelera e avança 0,1% no 3º trimestre, segundo IBGE

#FicaDica BH: vejas os bares com comanda individual para quem não quer fazer conta neste fim de ano

‘Despedida’ no Brasileiro: Cruzeiro atualiza a parcial de ingressos para o duelo contra o Botafogo

Vai pro jogo? Mesmo sendo dúvida, Arroyo é relacionado para Cruzeiro x Botafogo

Governador Romeu Zema é convocado a depor na CPMI do INSS