Resumo da notícia
AOMS afirmou que o risco de disseminação do ebola permanece baixo globalmente;
O surto no Congo já registra dezenas de mortes e centenas de casos suspeitos;
Autoridades monitoram uma variante rara do vírus sem vacina aprovada;
A OMS (Organização Mundial da Saúde) afirmou nesta quarta-feira (20/5) que o risco de disseminação do ebola é considerado elevado em nível nacional e regional na África Central, mas segue baixo em escala global.
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A avaliação foi divulgada pelo diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, após reunião do comitê de emergência que acompanha o avanço do surto na República Democrática do Congo.
“A OMS considera elevado o risco epidêmico em níveis nacional e regional, e baixo em nível global”, afirmou Tedros durante coletiva em Genebra.
OMS recua de cenário pandêmico global
A nova manifestação da OMS ocorre poucos dias após a própria organização ter declarado emergência internacional de saúde pública relacionada ao avanço do ebola no Congo e em Uganda.
Agora, o comitê concluiu que a situação ainda não atende aos critérios necessários para classificação de emergência pandêmica internacional nos moldes da covid-19.
Segundo a entidade, o objetivo atual é concentrar esforços em vigilância epidemiológica, rastreamento de contatos e controle regional da doença.
Surto já soma mortes e centenas de casos suspeitos
As autoridades africanas confirmaram nos últimos dias o avanço do surto principalmente na província de Ituri, na República Democrática do Congo.
De acordo com os Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças, já foram registrados ao menos 246 casos suspeitos e 65 mortes relacionadas à doença. A OMS também confirmou casos positivos laboratoriais e acompanha a situação em países vizinhos.
O surto atual preocupa especialistas porque envolve a variante Bundibugyo do vírus Ebola, considerada rara e sem vacinas aprovadas atualmente.
Variante rara preocupa autoridades sanitárias
A cepa Bundibugyo foi identificada pela primeira vez em Uganda entre 2007 e 2008 e voltou a aparecer no Congo em 2012. Esta é apenas a terceira vez que ela é detectada.
Especialistas alertam que a identificação de uma variante diferente da cepa Zaire, usada como base para vacinas existentes, pode dificultar o controle do avanço da doença.
O Ebola é transmitido pelo contato direto com fluidos corporais contaminados e pode causar febre hemorrágica grave, com altas taxas de mortalidade.
Violência e deslocamentos aumentam risco no Congo
A OMS e organizações humanitárias também demonstram preocupação com o contexto de violência armada na região de Ituri.
Conflitos entre grupos armados, deslocamentos populacionais e a precariedade das estruturas de saúde podem favorecer a disseminação do vírus entre comunidades vulneráveis.
Segundo Médicos Sem Fronteiras, hospitais da região enfrentam superlotação e dificuldades operacionais em meio à crise humanitária.
