Cerca de 80% dos casos de câncer de mama são registrados em mulheres com mais de 50 anos, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). A faixa etária coincide com o período em que muitas mulheres entram na menopausa, fase marcada por alterações hormonais e físicas. O tema é abordado na segunda edição da revista Elas por Elas, publicada pela Rede Mater Dei durante a campanha Outubro Rosa.
Com o tema “Sempre é tempo de recomeçar”, a publicação reúne orientações de 12 médicas sobre os cuidados com a saúde feminina em diferentes fases da vida. Um dos alertas é para a importância de manter o acompanhamento das mamas mesmo após o fim do período reprodutivo.
A menopausa não provoca câncer de mama diretamente. O avanço da idade e o tempo de exposição do organismo aos hormônios, entretanto, estão associados ao aumento do risco da doença.
Entre os fatores de risco apontados pelo INCA estão a menopausa após os 55 anos e o uso prolongado de terapia hormonal pós-menopausa, especialmente por períodos superiores a cinco anos.
Quais alterações nas mamas exigem atenção?
Durante a menopausa, a redução dos níveis de estrogênio provoca mudanças na composição das mamas, com diminuição do tecido glandular e alterações no volume e na consistência.
Embora essas transformações sejam esperadas, alguns sinais precisam de investigação médica. Entre eles estão:
- Nódulos na mama ou na axila;
- Retração da pele ou do mamilo;
- Saída espontânea de secreção pelo mamilo, principalmente com sangue;
- Vermelhidão, espessamento ou aparência de casca de laranja na pele da mama.
A ginecologista Anna Dias Salvador, coordenadora do Serviço de Mastologia da Rede Mater Dei, alerta que a ausência de dor não significa que uma alteração seja inofensiva.
“Minha orientação é que qualquer alteração nova ou persistente nas mamas seja avaliada por um médico, independentemente da idade ou da data da última mamografia. Não é preciso esperar que a mudança provoque dor ou outros incômodos para buscar atendimento”, afirma.
Mamografia deve continuar após a menopausa
A entrada na menopausa não representa o fim da necessidade de rastreamento do câncer de mama.
Segundo a Sociedade Brasileira de Mastologia, mulheres com risco habitual devem realizar mamografia anualmente dos 40 aos 74 anos, mesmo quando não apresentam sintomas.
A partir dos 75 anos, a indicação deve considerar individualmente as condições de saúde, a expectativa de vida e os possíveis benefícios do exame.
A mamografia permite identificar alterações em estágios iniciais, muitas vezes antes do aparecimento de sintomas, o que pode ampliar as possibilidades de tratamento e cura.
“O rastreamento deve ser individualizado conforme a idade, os fatores de risco e o histórico familiar, sempre com orientação médica especializada. Mulheres com alterações genéticas ligadas a maior risco podem precisar de acompanhamento específico e exames complementares”, explica Anna Dias Salvador.
Atividade física pode reduzir o risco da doença
O cuidado com o peso e a prática regular de exercícios também têm importância na prevenção.
Na menopausa, a queda do estrogênio favorece o acúmulo de gordura abdominal e a perda de massa muscular. Como o tecido adiposo passa a ser uma fonte importante de estrogênio após a redução da produção hormonal pelos ovários, o excesso de gordura pode influenciar o desenvolvimento de determinados tipos de câncer de mama.
Um documento do INCA, da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica e da Sociedade Brasileira de Atividade Física e Saúde aponta que mulheres na pós-menopausa com níveis mais elevados de atividade física apresentam risco 12% menor de câncer de mama em comparação com aquelas menos ativas.
A recomendação é praticar pelo menos 150 minutos semanais de atividade física moderada ou 75 minutos de exercícios vigorosos. Alimentação equilibrada, controle do peso e redução do consumo de álcool também integram as medidas preventivas.
Revista reúne orientações sobre saúde feminina
Além do câncer de mama e da menopausa, a segunda edição da Elas por Elas aborda fertilidade, contracepção, dor pélvica, saúde cardiovascular e dúvidas sobre o corpo feminino.
A publicação também apresenta um mapa dos serviços de mastologia da Rede Mater Dei em Minas Gerais, Bahia e Goiás.
Em Belo Horizonte, o Serviço de Mastologia da rede funciona desde 1986. Entre os recursos disponíveis estão mamografia 3D, ressonância magnética e atendimento oncológico no Mater Dei Contorno.