Motoristas que passam pela Avenida Refinaria Gabriel Passos, em Betim, devem redobrar a atenção na manhã desta segunda-feira (11). Um protesto de usuários do transporte metropolitano interdita o trânsito na via e provoca congestionamento na região.
A manifestação é organizada por moradores dos bairros Petrovale, Cascata, Petrolina, Jardim das Rosas, Montreal, Ouro Negro e Nazareno. Os manifestantes denunciam a má qualidade do transporte público metropolitano que atende Betim e Ibirité. Cerca de 100 pessoas participam do ato.
Segundo os passageiros, os ônibus circulam com superlotação e em condições precárias. As reclamações envolvem principalmente as linhas 1660, 1680, 1710 e 1720, consideradas as mais problemáticas pelos usuários.
O protesto foi motivado por um atraso de quase três horas registrado na última sexta-feira, situação que revoltou os passageiros e motivou a mobilização desta manhã.
Nota do Sintram na íntegra
“O Sintram informa que acompanhou a manifestação realizada na manhã desta segunda-feira (11), na região do Petrovale, na divisa entre Betim e Ibirité, envolvendo passageiros do transporte metropolitano que atendem bairros como Petrovale, Cascata, Petrolina, Jardim das Rosas, Montreal, Ouro Negro e Nazareno.
O ato reuniu cerca de 100 moradores e foi pacífico. O trânsito na região apresentou retenção, mas as vias foram liberadas por volta das 11h30 da manhã pela Polícia Militar. Representantes da empresa consorciada estiveram no local para acompanhar e dialogar com os manifestantes. As reclamações foram registradas e já estão sendo apuradas junto à empresa responsável pela operação e às equipes técnicas, ficando acordado, inclusive, que reuniões com as lideranças do movimento serão realizadas nos próximos dias, a fim de identificar pontos de ajuste e medidas operacionais possíveis.
Sobre horários e lotação, o Sintram esclarece que a logística das linhas metropolitanas é acompanhada de forma permanente pelas empresas, pelo sindicato e pelo órgão regulador, com o objetivo de equilibrar oferta e demanda nas regiões atendidas. No caso das linhas citadas no protesto, a análise operacional também será reforçada para mapear possíveis pontos de melhoria, especialmente nos horários de maior concentração de passageiros.
O Sindicato compreende a preocupação dos manifestantes e reconhece que o transporte metropolitano deve avançar sempre com regularidade, conforto e previsibilidade. É importante destacar, porém, que o sistema metropolitano enfrenta um cenário estrutural desafiador, que atinge toda a Região Metropolitana de Belo Horizonte. A operação ainda convive com demanda inferior à registrada antes da pandemia, ao mesmo tempo em que custos essenciais, como diesel, peças, manutenção e demais insumos, seguem pressionando fortemente o serviço. O diesel, por exemplo, representa parcela relevante dos custos do transporte coletivo e qualquer alta impacta diretamente a capacidade de operação e de ampliação da oferta.
Mesmo diante desse cenário, as empresas têm buscado preservar o atendimento à população e reduzir o mínimo possível os impactos sobre as comunidades. A frota que atende a região passou por renovação recente, com a entrada de cerca de 20 veículos novos para a região a partir do acordo de renovação firmado com o Governo de Minas, e todos os ônibus seguem rotinas de manutenção e vistoria. Ainda assim, a empresa consorciada será acionada para reavaliar os procedimentos operacionais e verificar se há medidas adicionais que possam contribuir para melhorar a regularidade do serviço.
O Sintram reforça que a melhoria estrutural do transporte metropolitano depende também da construção de uma nova forma de custeio para o sistema, preservando o equilíbrio dos contratos. Hoje, grande parte da operação é sustentada pela tarifa pública, paga diretamente pelo passageiro. O sindicato defende a diferenciação entre tarifa pública e tarifa técnica, que representa o custo real do serviço, e a adoção de mecanismos de complementação pública, como subsídio, para que seja possível ampliar viagens, reduzir tempo de espera e melhorar o atendimento sem transferir todo o peso da operação para o usuário”.
