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Mamonas Assassinas 30 anos: Dudu lembra o início do Graffite ao lado da banda, em BH

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Até a metade da primeira década dos anos 2000, o que determinava uma música de sucesso era: o top 20 da MTV Brasil e a parada de sucessos nas rádios FM do país. Ao final do dia, na última hora, antes da veiculação obrigatória do programa Voz do Brasil, diversas emissoras faziam seu top 10 a partir das ligações que chegavam de todo o país. Todo mundo querida ouvir a sua música favorita.

Os Mamonas Assassinas foram um exemplo de sucesso nas emissoras de rádio do Brasil inteiro, não apenas com uma música nas paradas, mas com pelo menos três canções: “Pelados em Santos”, “Robocop Gay” e “Vira-Vira”.

Quando ainda estavam longe de vender os três milhões de cópias do primeiro e único LP da carreira, a banda subiu as montanhas de Minas Gerais e desembarcou em Belo Horizonte para o primeiro show na capital mineira e ainda conceder uma entrevista à antiga Rádio Extra FM.

Foto: Arquivo Pessoal/Dudu Graffite

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Eduardo Schechtel, mais conhecido como Dudu Graffite, hoje locutor da Rádio 98 FM, foi o apresentador da primeira entrevista com os Mamonas Assassinas em solo belo-horizontino, no recém-criado programa Graffite, que este ano completa 30 anos, assim como a banda paulista.

Embalado pelas comemorações e nostalgia, Dudu relembra com detalhes como foi a chegada dos Mamonas Assassinas à antiga Rádio Extra FM.

Na verdade, o Graffite já tocava Mamonas, e eu falava assim: ‘O programa é oferecimento de ‘Sabão Crá-Crá”. E eu tocava “Sabão Crá-Crá”, que era legal, a cara do programa. E aí o João Bosco [divulgador da EMI] falou assim: ‘Cara, eu vou levar os Mamonas aí, já que você toca os caras’. E foi sensacional“, explica Dudu.

Foto: Reprodução/Redes Sociais Mamonas Assassinas

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Quando os Mamonas Assassinas chegaram a Belo Horizonte para tocar na casa de shows Bababoom, estavam longe de ser os recordistas de vendas que viriam a ser pouco tempo depois. Porém, durante o Graffite, os rapazes receberam uma bela notícia.

No dia em que os caras participaram do programa, o João Bosco tinha recebido uma ligação. Depois do contato, o João falou assim: ‘Galera, tem uma informação para vocês aí. Vocês bateram a marca de 120 mil cópias’. Eu tenho essa gravação. E eles estavam vindo aqui para tocar no Babaum, que era um lugar bem menor. Meses depois, eles voltaram para tocar no Mineirinho, para 25 mil pessoas”, lembra.

Com faixa etária praticamente semelhante, Dudu e os Mamonas Assassinas conseguiram uma interatividade muito interessante.

Foram duas horas no ar e fora do ar, trocando ideia. Como tocava música no programa, tinha um tempo que a gente podia ficar batendo papo lá e foi muito legal. Me identifiquei muito com o Dinho na época. A gente também tinha a mesma idade, eles estavam muito em casa. Lembro de o Dinho e eu, fora do estúdio, com um péssimo hábito de fumar, falando de música, e eu contando minhas histórias, que eu tive banda, ele também contando as histórias dele. Os caras fizeram sucesso porque eles sempre foram de verdade. Eles não foram inventados, sempre foram de verdade”, destaca o apresentador.

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Radialista desde 1987, Dudu Graffite passou por diversas rádios, interagiu com artistas e gravadoras. Para o comunicador, o sucesso dos Mamonas Assassinas não surpreendeu, mesmo em uma época em que o rock não era o estilo mais tocado nas rádios e na TV.

Eles misturam vários estilos. Você tem rock, mas tem uma parte sertaneja e pagode. Então é a cara do Brasil. Acho que os Mamonas conseguiram em várias músicas, inclusive homenagear a MPB. Eles conseguiram misturar vários estilos com o rock e com tudo, que é a cara do Brasil e o povo abraçou mesmo assim. Principalmente a molecada”, conta.

Foto: Reprodução/Redes Sociais Mamonas Assassinas

A participação dos Mamonas Assassinas no Graffite gerou uma amizade entre Dudu e os rapazes, que quase resultou em uma segunda visita ao programa, quando a banda retornou a Belo Horizonte. Porém, não foi possível.

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Nós tentamos ter uma segunda ida deles lá no Graffite, mas na época, a rádio era na rua Itatiaia, e acabou que não teve jeito, porque não tinha segurança. Quando os caras foram lá pela primeira vez, ainda não tinham aquele sucesso todo. Quando eles voltaram para tocar em Belo Horizonte, já tinham vendido mais de 2 milhões de cópias. Então, como é que você consegue, numa rua estreita como aquela? Se eu falasse: ‘Os Mamonas estão aqui’, ia virar uma loucura lá”.

O Graffite completou, em 2025, assim como o disco dos Mamonas Assassinas, 30 anos de história e muito sucesso. Para Dudu Graffite, a presença dos rapazes é um dos momentos mais marcantes da história do programa e da carreira profissional.

Está entre os cinco momentos mais importantes da história do programa Graffite e da minha carreira profissional também. Sempre gostei muito de entrevistar as pessoas, e eu me identifiquei demais com eles. Me identifiquei muito com o Dinho. Tinha até uma brincadeira do pessoal, que tinha gente que achava que, quando era mais novo, parecia com o Dinho. Chegaram até a cogitar de eu ser o Dinho no cinema e tudo. Te falo assim, com toda sinceridade, é marcante dentro de muitas entrevistas que eu fiz na vida”, finaliza.

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Confira a entrevista dos Mamonas Assassinas ao programa Graffite, em 1995. Vale a pena!

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Vinícius Silveira

Produtor, repórter, narrador e apresentador pela Rádio 98 FM desde 2018, é formado em Jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH), com graduação entre 2012 e 2015. Acumula passagens por outras emissoras de rádio AM e FM, e jornais de Belo Horizonte.

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