O ministro Guilherme Boulos voltou a defender a garantia de direitos de entregadores e motoristas de aplicativos, além de remuneração mínima para a categoria, mas afirmou que, diante do lobby de empresas iFood, Uber e 99, a proposta não deverá ser votada neste ano. Em entrevista exclusiva à 98 News, o Ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência afirmou que o governo Lula (PT) segue buscando formas de melhorar as condições de trabalho dos apps, mas que encontra bastante resistência por parte das empresas e do Congresso brasileiro.
“O governo Lula está olhando para esses trabalhadores para ajudá-los em tudo aquilo que não precisa mudar a lei, porque a lei depende do Congresso. Ou seja, nós não vamos ter força para conseguir aprovar isso agora. Mas, por exemplo, anteontem assinamos com o Lula um programa de R$ 30 bilhões para permitir que o motorista de Uber e também os taxistas renovem seus carros, ou seja, compre um carro novo de até R$ 150.000 com juros muito abaixo do mercado, com 72 meses para pagar, com carência de 6 meses… um série de condições especiais para esses trabalhadores”, explicou.
De acordo com Boulos, as propostas abrangem questões como remuneração mínima, postos de descanso e alimentação, entre outros. “Os trabalhadores de aplicativo hoje não têm nenhuma defesa. Essas leis você constrói escutando quem sabe onde o calo aperta. Então, a proposta foi garantir uma remuneração mínima um pouco maior do que eles recebem hoje, garantir um pagamento por quilômetro, por exemplo”, continuou.
O ministro também falou sobre a divisão do lucro entre o trabalhador e o aplicativo, e citou questões com Uber e iFood, dois dos principais. “Hoje um motorista de Uber faz uma corrida de R$ 100, às vezes a Uber fica com metade. O carro é do motorista, a gasolina é dele, o trabalho é dele, a manutenção é dele, o risco, se tiver um acidente, é dele. A Uber só entra com a plataforma e fica com R$ 50 de uma viagem de R$ 100. Eu duvido que alguém não seja o CEO da Uber olhe isso e pense que está correto. Tem que equilibrar”, completou.
Escala 6×1
Em outros pontos, Guilherme Boulos também afirmou que o governo do presidente Lula não aceita uma transição de longo prazo para o fim da escala 6×1 e para a redução da jornada de trabalho no país. Durante a conversa, Boulos defendeu a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas sem redução salarial, rebateu críticas do setor produtivo sobre produtividade, falou sobre regulamentação de motoristas e entregadores por aplicativo e comentou o cenário político de Minas Gerais para as eleições de 2026.