Morreu nesta quarta-feira (17/6), o jornalista Baptista José Patrus Chagas de Almeida, conhecido como Baptista Chagas, um dos nomes mais importantes da cobertura política em Minas Gerais. A informação foi confirmada por familiares. A causa da morte não foi divulgada.
Natural de Belo Horizonte, Baptista nasceu em 10 de julho de 1963 e construiu uma carreira de décadas no jornalismo mineiro, especialmente no Estado de Minas, onde começou como estagiário, tornou-se repórter, editor-assistente, editorialista e editor de política.
Ao longo da trajetória profissional, Baptista Chagas se consolidou como uma das vozes mais reconhecidas da análise política em Minas e no país. Também assinou a coluna diária Em Dia com a Política, dedicada aos principais fatos e decisões políticas no estado e em Brasília.
Do estágio à editoria de Política
Baptista Chagas estudou Comunicação Social, com ênfase em Jornalismo, na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas). Também fez curso de máster em Jornalismo no Instituto Internacional de Ciências Sociais (Iisc), em São Paulo, em parceria com a Universidade de Navarra, da Espanha.
Ele chegou a cursar alguns períodos de Direito na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), mas não concluiu a graduação.
O primeiro emprego no jornalismo foi como estagiário no jornal Estado de Minas, onde atuou em radioescuta e outras atividades até se formar. Em 1986, já graduado, foi contratado como repórter da editoria de Cidades.
Quatro anos depois, em 1990, foi transferido para a editoria de Política, área que marcaria a maior parte de sua carreira.
Um dos mais jovens editorialistas do Estado de Minas
Na editoria de Política, Baptista atuou como repórter até 1997, quando se tornou editor-assistente. Foi também um dos mais jovens editorialistas da história do Estado de Minas.
Em 2002, assumiu a editoria de Política do jornal, função em que acompanhou de perto eleições, governos, crises institucionais, bastidores partidários e decisões que moldaram a vida pública em Minas Gerais e no Brasil.
Entre 2010 e 2012, também foi editor de Política do grupo Diários Associados, com atuação na editoração do Correio Braziliense.
Coberturas de impacto
Entre os trabalhos de destaque da carreira está a série de reportagens publicada em 2009 sobre os altos salários recebidos por políticos em Minas Gerais.
As reportagens mostraram que a maior parte dos vencimentos superava os salários do então governador Aécio Neves e do então presidente Lula. Em uma das publicações, os leitores souberam que o deputado estadual Antônio Júlio, então presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, recebia mais que o presidente dos Estados Unidos à época, George W. Bush.
A cobertura reforçou a marca de Baptista Chagas no jornalismo político: apuração de bastidor, atenção aos números públicos e leitura crítica das estruturas de poder.
Atuação além das redações
Além do trabalho como repórter, editor, editorialista e colunista, Baptista Chagas participou como jurado de prêmios importantes do jornalismo brasileiro, entre eles o Prêmio Esso e o Prêmio CNT de Jornalismo, ambos em 2011.
