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Folia de BH cresce, mas blocos e escolas cobram mais apoio e previsibilidade: ‘a gente não faz Carnaval em um mês’

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Larissa Reis

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O Carnaval de BH bateu recorde de público em 2026 e reforçou a posição da capital entre os principais destinos da folia no país (Débora Elisa/98)

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O Carnaval de Belo Horizonte bateu recorde de público em 2026 e reforçou a posição da capital entre os principais destinos da folia no país. A festa passou, mas uma pergunta continua: como garantir que esse crescimento seja sustentável nos próximos anos?

Uma nota técnica da consultora legislativa em Educação e Cultura, Dagmar Martins, aponta desafios no financiamento do Carnaval. O assunto foi debatido na Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal e trouxe à tona uma preocupação dos blocos: a dificuldade para planejar a próxima edição com antecedência.

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Segundo Mariana Fonseca, presidente do bloco Então, Brilha!, um dos mais tradicionais da capital, falta no calendário da cidade um modelo que dê mais previsibilidade para captação de recursos, organização e estruturação das agremiações ao longo do ano.

“Os blocos e as escolas de samba precisam de espaço para acontecer o ano inteiro, precisam de estrutura. A cidade precisa acolher o Carnaval o ano todo. Tem um mês em que se abre esse precedente, em que pode ensaiar na rua e realizar atividades, mas e o resto do ano? A gente não faz Carnaval em um mês. Acaba um cortejo e já começa a fazer o outro. Só que aí o resto do ano a gente fica sobrecarregado, arrochado, sempre com uma incerteza muito grande. Essa incerteza é adoecedora para toda a cadeia do Carnaval”, afirmou.

Além da falta de uma estruturação de um calendário anual, outro ponto apontado foi o desfile das escolas de samba em BH. Movimento tradicional em outras capitais do país, principalmente no Rio de Janeiro, em Belo Horizonte não tem o mesmo impacto e adesão popular. No fim de 2025, a falta de recursos para o setor foi inclusive pauta na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

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Segundo a vereadora Jhulia Santos, do PSOL, que fez o requerimento da audiência pública, o próprio local onde o desfile acontece hoje prejudica o desenvolvimento da atividade.

“O que tem sustentado e contribuído diretamente para a retomada do nosso Carnaval são as escolas de samba, que são historicamente escanteadas nesta cidade. Hoje foi pensado um outro circuito e eu acredito que a Avenida dos Andradas é um trajeto interessante, mas um Carnaval que faz curva com carros alegóricos não dá. A Andradas pode ser melhor aproveitada, mas já passou da hora de pensar como o Rio de Janeiro, Vitória e outras capitais fizeram. Belo Horizonte é uma cidade do samba e precisa ter uma estrutura própria para isso”, disse.

Em resposta às reclamações, a Prefeitura afirmou que vem trabalhando em diferentes frentes para melhorar a situação dos produtores do Carnaval.

Segundo Michelle Cristina, representante da Secretaria Municipal de Cultura na audiência, muitas das reivindicações apresentadas pelos blocos e pelas escolas de samba já vêm sendo discutidas em espaços de diálogo entre o poder público e os organizadores da festa.

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“Muitas das demandas que vocês colocam são super legítimas. A gente acompanhou bastante ao longo do tempo e elas tiveram encaminhamento no grupo de trabalho do Carnaval, do qual participamos em 2023 e 2024. Inclusive, a própria nota da comissão cita esse processo, que culminou com a Lei Geral do Carnaval e com a lei que reconhece a importância cultural dos blocos caricatos. A gente entende que essas pautas dependem também de uma ação integrada entre diferentes áreas para que não fiquem nessa repetição constante que a gente vê nas audiências. A gente precisa afinar esse trabalho e tem tentado fazer isso”, afirmou.

Os dados oficiais apresentados pela prefeitura mostram que o Carnaval de 2026 atraiu mais de 6,5 milhões de foliões e injetou cerca de R$ 1,4 bilhão na economia da capital.

Por outro lado, o setor privado demonstrou timidez. Um edital de patrocínio que oferecia cotas de até R$ 10 milhões resultou em apenas três contratos de colaboração de R$ 500 mil cada.

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Rafael Mendonça

Jornalista formado pela Universidade Federal de São João del-Rei. Produtor de Jornalismo na Rádio 98 e atua desde os 17 anos na produção, edição e apresentação em rádio. Passagens por Rádio Universitária e Cultura (Lavras), Rádio São João Del-Rei, Rádio da Massa e Rádio Transamérica.

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