O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho (PT), afirmou nesta quarta-feira (24/6) que, se fosse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), substituiria o senador Jaques Wagner (PT-BA) da liderança do governo no Senado. A declaração ocorre uma semana após o parlamentar ser alvo de uma operação da Polícia Federal relacionada ao caso Banco Master.
A manifestação foi feita horas antes de uma reunião entre Lula e Jaques Wagner, prevista para discutir o futuro do senador no comando da bancada governista. Nos bastidores do Palácio do Planalto, cresce a expectativa de que o petista deixe a função para reduzir o desgaste político provocado pela investigação.
Marinho diz que decisão cabe a Lula
Questionado sobre a permanência de Jaques Wagner no cargo, Luiz Marinho afirmou que optaria pela substituição, mas ressaltou que a decisão cabe exclusivamente ao presidente da República.
“É uma avaliação que o presidente Lula vai fazer, mas eu optaria em substituí-lo. O presidente Lula conversa com ele. Registrando que é uma liderança que eu pessoalmente prezo com maior respeito”, afirmou o ministro.
Marinho também saiu em defesa do senador ao afirmar que, segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), não procede a informação de que Jaques Wagner teria atuado em favor do Banco Master.
Operação da PF aumentou pressão sobre o senador
Jaques Wagner foi alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga possíveis irregularidades envolvendo instituições do sistema financeiro nacional.
Durante a ação, foram apreendidos US$ 49 mil em espécie em um endereço em Brasília ligado ao senador.
Desde então, auxiliares do governo passaram a discutir a possibilidade de mudança na liderança do governo no Senado. A avaliação é que um eventual afastamento voluntário poderia reduzir o desgaste político enquanto o parlamentar concentra esforços na própria defesa.
Senador afirma que não pretende deixar o cargo
Apesar da pressão nos bastidores, Jaques Wagner tem afirmado que não pretende renunciar à liderança do governo. Após a operação da Polícia Federal, o senador negou ter cometido qualquer irregularidade e declarou que a decisão sobre sua permanência cabe exclusivamente ao presidente Lula.
Segundo Wagner, se depender de sua vontade, ele continuará exercendo a função de líder do governo no Senado.