O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que as primeiras Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) inteligentes do Sistema Único de Saúde (SUS) já estão em funcionamento e classificou a iniciativa como uma “revolução digital” na medicina pública. Segundo ele, a tecnologia permitirá diagnósticos mais rápidos, decisões clínicas em tempo real e redução das filas hospitalares.
A declaração foi dada em entrevista à 98 News, nesta quinta-feira (02/7), durante agenda em Belo Horizonte.
“É uma revolução digital”
Ao comentar a implantação da primeira UTI inteligente de Minas Gerais, instalada no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Padilha destacou que o modelo utiliza integração entre equipamentos médicos, monitoramento remoto e inteligência artificial para qualificar o atendimento aos pacientes.
“É uma revolução digital que nós estamos fazendo. A gente está utilizando o que tem de mais moderno na medicina para cuidar das pessoas e salvar vidas”, afirmou.
Segundo o ministro, o projeto integra uma rede nacional de 14 UTIs inteligentes que estão sendo implantadas em diferentes regiões do país.
Tecnologia permite monitoramento em tempo real
De acordo com Padilha, a principal mudança está na conexão permanente entre os equipamentos utilizados pelos pacientes internados.
Ventiladores mecânicos, monitores e bombas de infusão passam a transmitir informações continuamente para uma central de monitoramento. Médicos, enfermeiros e fisioterapeutas também podem acessar os dados diretamente pelo celular, em qualquer ponto do hospital.
O sistema também se conecta às ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), permitindo que as equipes hospitalares acompanhem os sinais vitais do paciente ainda durante o transporte.
“Esses dados passam online o tempo todo, sem delay, sem atraso. Então quem está na UTI ou na central de regulação acompanha as mudanças em tempo real e consegue definir o melhor atendimento”, explicou.
Inteligência artificial auxilia médicos
Padilha afirmou que a inteligência artificial também já está sendo utilizada para apoiar decisões clínicas.
Como exemplo, ele citou um ventilador mecânico que utiliza dados de centenas de milhares de pacientes para auxiliar as equipes no processo de retirada gradual do equipamento, conhecido como desmame ventilatório.
Segundo o ministro, a ferramenta oferece recomendações que ajudam médicos e fisioterapeutas a identificar os melhores momentos para reduzir o suporte respiratório.
“A inteligência artificial consegue ajudar o fisioterapeuta, o médico e o enfermeiro a identificar os primeiros sinais e quais ações precisam ser tomadas”, disse.
Governo aposta em redução das filas
Para Padilha, a modernização deve gerar impactos diretos no atendimento à população.
Segundo ele, o acompanhamento contínuo das informações permite respostas mais rápidas às mudanças no quadro clínico dos pacientes, reduzindo o tempo de permanência nas UTIs.
“Com isso, muda o parâmetro desse paciente, o tempo de internação diminui. E, diminuindo o tempo de internação, você reduz a fila porque mais gente passa a ser atendida”, afirmou.
O ministro ressaltou que a UTI inteligente do Hospital das Clínicas da UFMG já está em operação e que todos os equipamentos integrados já funcionam de forma conectada.