O Google fechou o maior acordo de remoção de carbono de sua história para apoiar um projeto ambiental em mais de 200 mil hectares de lavouras de arroz no Rio Grande do Sul. A iniciativa é conduzida pela startup Terradot, empresa que conta com investimentos da gigante de tecnologia. O programa visa mitigar o impacto ambiental da rizicultura no país ao reduzir as emissões de metano e capturar dióxido de carbono da atmosfera.
A estratégia combina o manejo sustentável do solo com a aceleração de processos naturais de absorção de gases do efeito estufa através do uso de rochas. A meta das empresas é gerar créditos equivalentes à redução e remoção de 1 milhão de toneladas métricas de metano até 2030, contabilizando ativos ambientais devidamente verificados para compensação corporativa.
O cultivo do arroz no formato tradicional de áreas alagadas favorece a proliferação de microrganismos que produzem grandes quantidades de metano. Dados do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) indicam que a rizicultura responde por cerca de 10% a 12% das emissões globais desse gás, o que torna o setor prioritário para intervenções sustentáveis.
Expansão tecnológica e metas ambientais
A redução do metano gera impacto positivo imediato no combate ao aquecimento global de curto prazo. A remoção do CO₂, por outro lado, atua no combate ao efeito estufa de longa duração. Ao combinar as duas frentes, o projeto busca neutralizar diferentes etapas do ciclo de emissões atmosféricas associadas à produção agrícola e às operações industriais.
O aporte milionário conecta-se diretamente ao aumento da demanda energética das grandes empresas de tecnologia. A expansão contínua de data centers e o avanço da inteligência artificial impulsionam essa elevação no consumo. O movimento visa compensar a pegada ecológica crescente do setor técnico com projetos de remoção direta de carbono na agricultura.
O Google já havia adquirido participação na Terradot em 2024 e consolida o Brasil como um dos principais palcos para suas metas globais de sustentabilidade. O acordo, portanto, reafirma a tendência de grandes multinacionais investirem na descarbonização do agronegócio como estratégia de neutralidade climática.
