O governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), cobrou o atual governador, Mateus Simões (PSD), sobre a transição de governo. Em discurso no Congresso Nacional nesta quinta-feira (15/10), Cleitinho pediu que o adversário não tome medidas que prejudiquem a próxima gestão e afirmou que a população mineira seria a principal afetada.
“Espero que você não faça sacanagem comigo, com todo o respeito. Porque fazer sacanagem comigo não é comigo, está fazendo sacanagem é com o povo”, declarou.
A fala ocorre em meio ao aumento da temperatura entre os dois durante a transição. Cleitinho tem reclamado de armadilhas que Mateus estaria criando para o governo eleito.
Durante o discurso, o governador eleito citou a previsão de déficit de mais de R$10,5 bilhões para 2027 e a possibilidade de dificuldades no pagamento dos servidores estaduais em janeiro.
Cleitinho comparou a situação às críticas que o atual grupo político fazia aos governos do PT e questionou por que as contas do estado passaram a ser motivo de preocupação agora.
“Até então, antes da campanha, o estado estava a mil maravilhas. Agora, a partir de primeiro de janeiro, o estado quebrou?”, afirmou.
Em nota, o governo de Minas informou que o pagamento dos servidores referente a janeiro será feito antes da posse de Cleitinho, marcada para o dia 6.
O governador eleito também pediu que Mateus deixe de lado as divergências da campanha e colabore com a transição.
Governador eleito promete revisar contratos
Cleitinho afirmou que vai fazer uma auditoria nos contratos da Cemig e de outros órgãos estaduais para verificar possíveis irregularidades.
“Vou fazer auditoria, rever contrato por contrato”, declarou.
Durante o discurso, o governador eleito citou a prisão preventiva de uma servidora do Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG), investigada por suspeita de corrupção em um caso envolvendo uma loteadora em Uberlândia. Segundo o Ministério Público de Minas Gerais, empresas ligadas ao grupo teriam quitado parte da dívida de um imóvel comprado pela servidora.
O governador eleito disse que pretende montar uma equipe preparada para enfrentar as dificuldades financeiras e “reerguer o Estado”.
Cleitinho quer aproveitar propostas de adversários
Cleitinho também contou ter procurado outros candidatos que disputaram o governo para conversar sobre propostas para o estado. Entre eles, citou Flávio Roscoe (PL) e Gabriel Azevedo (MDB), que participa da equipe de transição.
Ele afirmou querer aproveitar ideias de diferentes grupos políticos. “Eu fui ao Roscoe nesta semana, conversei com ele. Fui ao Gabriel Azevedo. Olha a humildade que estou tendo, porque estou colocando Minas em primeiro lugar. Não quero ser melhor do que ninguém. Quero só fazer o meu melhor para Minas Gerais.”
No mesmo discurso, Cleitinho defendeu o fim da escala de trabalho 6×1 e criticou os gastos do poder público. Ele afirmou que políticos também precisam reduzir despesas e disse que vai abrir mão do auxílio-mudança a que tem direito ao deixar o Senado, com a intenção de doar o valor.
*Estagiário sob supervisão do coordenador Victor Duarte