O deputado federal Nikolas Ferreira (PL) fez duras críticas ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), após o senador questionar a postura de integrantes da direita em relação às eleições brasileiras. Em uma manifestação direcionada a Alcolumbre, Nikolas criticou a condução de pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), citou indicadores sociais do Amapá e cobrou explicações sobre suspeitas envolvendo o senador.
“Sabe o que não está normal, Alcolumbre? Eu vou te contar. O que não está normal é um deputado sair de Minas Gerais e ir ao Amapá fazer uma cobrança pública e o presidente do Senado tratar isso como se fosse uma agressão, ofensa ou ameaça”, afirmou.
Nikolas se referiu a uma manifestação da qual participou no Amapá, onde cobrou o andamento de pedidos de impeachment de ministros do STF. Segundo ele, o ato foi pacífico e reuniu pessoas insatisfeitas com a atuação do presidente do Senado.
“Eu fui, sim, ao teu estado, participei de um evento lindo, pacífico, com pessoas de verde e amarelo, um sol de rachar, mas todos ali sedentos por uma mudança e cobrando o andamento dos pedidos de impeachment dos ministros do STF que você sentou em cima”, declarou.
Nikolas cita problemas sociais do Amapá e cobra Alcolumbre
Durante a manifestação, o deputado também apresentou indicadores de saneamento, pobreza e violência no Amapá para questionar a atuação política de Alcolumbre, que representa o estado no Congresso Nacional há mais de duas décadas.
Nikolas citou dados segundo os quais nove em cada dez moradores do Amapá não tinham coleta de esgoto em 2024. Também afirmou que mais de 230 mil pessoas viviam sem acesso à água tratada e que o estado registrou a maior taxa de mortes violentas do Brasil em 2025.
“É claro que eu não vou ser leviano e colocar tudo como sendo culpa sua, mas o meu ponto é: você acha normal ficar indignado com uma manifestação desse povo, mas nunca ter ficado indignado dessa forma com a situação desse próprio povo?”, questionou.
O parlamentar também criticou a atuação de Alcolumbre em relação a propostas legislativas, incluindo a redução da maioridade penal, o fim da escala 6×1 e os pedidos de impeachment de ministros do Supremo.
Deputado menciona suspeitas e pede explicações
Nikolas também mencionou suspeitas envolvendo antigos assessores de Alcolumbre, repasses de recursos e contratos relacionados à Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf).
O deputado citou relatos sobre um suposto esquema de rachadinha, pagamentos recebidos por um ex-chefe de gabinete e suspeitas de superfaturamento em contratos financiados por emendas parlamentares. As acusações foram apresentadas por Nikolas e não representam comprovação de irregularidades atribuídas ao presidente do Senado.
“A resposta é simples: o que é que foi apurado? Quais foram as providências adotadas? Ninguém sabe. Isso que não é normal”, afirmou.
O parlamentar ainda fez referência a mensagens que, segundo ele, envolveriam pessoas próximas a Alcolumbre e o empresário Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master.
Ao encerrar a manifestação, Nikolas defendeu uma mudança na presidência do Senado na eleição interna prevista para fevereiro de 2027.
“Não é normal que um homem como você esteja à frente de um dos cargos mais importantes do país. Eu espero muito que em fevereiro do ano que vem o Brasil mude isso e coloque uma pessoa que realmente pense no país ocupando essa cadeira”, declarou.
Alcolumbre criticou questionamentos sobre urnas eletrônicas
Na quarta-feira (4/11), Alcolumbre rebateu críticas à confiabilidade das urnas eletrônicas após a derrota de Flávio Bolsonaro para o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva.
O senador questionou o fato de integrantes da direita aceitarem os resultados do primeiro turno, quando o PL elegeu a maior bancada da Câmara dos Deputados, mas contestarem o sistema eleitoral após o segundo turno.
“No primeiro turno a urna prestou. Essa mesma urna eletrônica, que tem 30 anos, serviu para eleger 120 deputados federais do partido do candidato que perdeu a eleição”, afirmou.
Alcolumbre também destacou que o PL conquistou cadeiras no Senado e que Flávio Bolsonaro teve votação expressiva na disputa presidencial.
“Quando abriu no segundo turno, não prestou mais a urna. O resultado valeu para o primeiro turno? Eu não achei um para dizer que estava errada desde o primeiro turno”, acrescentou.
A manifestação de Nikolas ocorreu em meio à disputa política pelo comando do Senado, marcada por críticas de parlamentares da oposição à atuação de Alcolumbre em relação ao Supremo Tribunal Federal.