PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

COPASA: o fim do referendo e o início da razão

Siga no

(Divulgação / Copasa)

Compartilhar matéria

A Assembleia Legislativa de Minas Gerais aprovou o fim da exigência de consulta popular, o famoso referendo, para a privatização ou desestatização da COPASA. A decisão, que precisa ser lida com menos emoção e mais lógica, não privatiza a empresa, como muitos vêm dizendo nas redes e nos discursos inflamados de plenário. Ela apenas retira um obstáculo político que, por anos, serviu mais para adiar o debate do que para qualificá-lo.

É importante dizer: ninguém está vendendo a COPASA neste momento. O que foi aprovado é o fim da necessidade de perguntar ao eleitor se ele autoriza o governo a discutir a privatização. E, convenhamos, um plebiscito sobre cada passo administrativo do Estado seria o mesmo que amarrar a gestão pública a cada nova legislatura. Democracia não é paralisia.

A privatização, caso venha, ainda depende de dois projetos: um que trata da regulação da ARSAE, a Agência Reguladora de Saneamento, e outro que define o modelo de desestatização, se total, parcial, com participação acionária do Estado, ou via concessão. Nenhum deles foi votado. Portanto, é falso afirmar que a COPASA já mudou de dono.

Privatizar ou não privatizar: eis a conta

Mas há uma realidade dura: o Estado precisa cobrir 20% da dívida mineira para aderir ao acordo de recuperação fiscal. Uma das formas mais concretas de atingir essa meta é justamente a privatização da COPASA. Não por imposição do Governo Federal, que, aliás, nem deixou claro o que deseja de Minas nesse ponto, mas por pura necessidade matemática.

E há o dado técnico: a COPASA não universalizou o saneamento básico e, do jeito que está, não conseguirá fazê-lo até o prazo final do marco legal do saneamento. Isso não é ideologia, é fato. Falta investimento, falta velocidade e sobra amarra burocrática. Se o setor privado pode acelerar, investir e entregar, a lógica aponta o caminho, capital privado para serviço público essencial, desde que sob regulação e metas claras.

A narrativa de que os trabalhadores da COPASA serão demitidos ou de que a água ficará mais cara é, no mínimo, imprecisa. Os empregados competentes continuarão empregados, seja sob gestão pública ou privada. E a tarifa não é decidida pela empresa, é definida pela ARSAE, independentemente do controle acionário.

O desafio agora é sair da guerra ideológica e entrar no campo técnico: como garantir investimento, eficiência e transparência? Como transformar o saneamento em serviço universal sem que a burocracia sufoque o avanço?

O fim do referendo não é o fim da democracia, é o início da razão administrativa. É o reconhecimento de que Minas não pode mais adiar o óbvio. O Estado precisa respirar, o cidadão precisa ser atendido, e o investimento precisa chegar aonde o orçamento público não alcança.

O que a Assembleia aprovou não foi o silêncio do povo, mas a voz da maturidade.

Compartilhar matéria

Siga no

Paulo Leite

Sociólogo e jornalista. Colunista dos programas Central 98 e 98 Talks. Apresentador do programa Café com Leite.

Webstories

Mais de Entretenimento

Mais de 98

Outubro chegou cedo em Minas

A decisão foi revista. Mas a crise parece estar longe de acabar

Tarifa Zero: a conta que só troca de bolso

Tadeuzinho rumo ao TCE

Vitória eleitoral, derrota econômica: é o Brasil na encruzilhada de 2026

A Justiça que copia e cola. Se ninguém leu, quem decidiu?

Últimas notícias

Para evitar anulação, MPMG questiona decisão que condenou homem de 35 anos ‘casado’ com menina

CPMI do INSS convoca Leila Pereira, presidente do Palmeiras, para depor como testemunha

Exército brasileiro promove a primeira mulher ao quadro de generais

MG tem novo caso de mpox confirmado; número de infectados no estado sobe para 5

STF adia para março julgamento sobre suspensão de penduricalhos

Cruzeiro renova com joia da base até 2030

Sebrae Minas anuncia crédito com 100% de garantia para vítimas das chuvas na Zona da Mata

Leonardo Jardim resolve questões pessoais e aceita ouvir propostas

Concentração de poluentes no ar ultrapassa limites em todo o país