Os moradores de Ubá, na Zona da Mata Mineira, viveram momentos de grande tensão na madrugada de segunda para terça. Em cerca de três horas e meia, choveu cerca de 170 milímetros na cidade, deixando um rastro de destruição e mortes.
No meio disso, algumas pessoas acabaram perdendo tudo, como foi o caso da Aretha Stefani, de 21 anos, que viveu momentos de desespero com seu marido e a filha de três anos. Em entrevista à Rede 98, ela se emocionou ao relembrar o que passou na madrugada.
“Foi subindo tudo muito rápido, eu com minha criança no colo de 3 anos, ela ficando desesperada também e a água subindo muito rápido na altura da cintura. Tentamos abrir a porta para ir para o terraço, mas a porta não abria, porque tava emperrada por conta da água. Por pouco a gente não sobe. Tentaram vir de barco buscar a gente, mas o barco não tinha como chegar porque tava muito forte correnteza. Meu padrasto foi na casa da frente, tentando ajudar uma senhorinha. A água tampou a casa e os dois ficaram lá dentro. Eu não sei como ele conseguiu sair de lá, foi graças a Deus”, disse a moradora do Centro de Ubá.
Segundo o padrastro de Aretha, José Luiz, que completa 55 anos justamente nesta terça-feira (24/02), em dado momento ele temeu pela vida. Segundo ele, para conseguir sair da casa, ele precisou quebrar um forro no teto para subir para o telhado, já que a água tinha tomado toda a casa,
“A água tomou conta da casa, a água foi até teto, entendeu? Tinha uma área de luz para poder respirar. Eu levei ela (a senhora) boiando, levei ela até na área de luz, mas eu vi que não ia dar, então eu estourei o forro. Estourei o forro e subi para cima da casa”, disse José Luiz.
Asilo também ficou inundado
Também no centro da cidade, no asilo Lar João de Freitas, que abriga 16 idosas, os momentos também foram tensos. Kamily de Cássia, estagiária que estava trabalhando no momento da enchente, conta que algumas idosas precisaram ficar boiando em seus colchões em meio a água, lama e entulho.
Segundo ela, apenas quatro idosas não conseguiam andar. Essas foram levadas até o terraço. No entanto, as demais, acamadas, precisaram ficar onde estava inundado.
“Colocamos quatro, se não me engano, das senhoras na laje e as outras, infelizmente, como elas não conseguem nem andar, não tinha como a gente tirar elas dali, porque nessa situação a água já tava um nível muito alto. A gente é mais baixinha, a gente teve que subir em cima das coisa, porque senão a gente tem que ficar nadando ali ou afogava, e as senhorinhas ficavam todas boiando assim no colchão”, disse a estagiária.
Ainda segundo Kamily, medicamentos, roupas, móveis e eletrodomésticos se perderam com a enchente.
Apesar da destruição, a vida
Apesar da destruição e dos inúmeros bens materiais perdidos, Aretha Stefani destaca que o maior agradecimento que pode fazer, neste momento, é pela vida. Segundo ela, em todo o momento ela orou para sair da situação com vida junto de sua filha.
“Eu tô grata só que ter a minha vida. Eu orei tanto para conseguir a minha vida. Bem material, bem material a gente conquista de novo, a gente ganha. Eu tô grata por tudo pela minha vida. Agora é seguir em frente, tentar ganhar um pouco de coisa, trabalhar mais, comprar mais. Isso. Tem que tentar seguir em frente”, disse Aretha.
A região é visitada pelo governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) e seu vice-governador, Mateus Simões (Novo). Juiz de Fora recebe ainda o auxílio do Governo Federal, com a presença da Força Nacional e da Defesa Civil.
