A desembargadora Sylvia Marlene de Castro Figueiredo, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, determinou nesta quarta-feira (13/5) a soltura do MC Ryan SP. O funkeiro é alvo da Operação Narco Fluxo, que investiga suposto esquema bilionário de lavagem de dinheiro envolvendo o Primeiro Comando da Capital (PCC) e apostas ilegais.
O despacho da desembargadora é uma extensão do habeas corpus concedido na segunda-feira, 11, ao produtor Henrique Viana, conhecido como “Rato Love Funk”, que também havia sido detido no curso da operação.
A Justiça também concedeu liberdade a Marlon Brendon Coelho, o MC Poze do Rodo, a Raphael Sousa Oliveira, dono da página de fofocas “Choquei”, ao influenciador Chrys Dias e ao empresário Rodrigo Oliveira, dono da produtora de funk GR6. Outros 17 investigados na Operação Narco Fluxo também foram beneficiados com a decisão.
A desembargadora destacou que a prisão preventiva não pode ser mantida sem elementos suficientes para a apresentação de denúncia pelo Ministério Público Federal. Até o momento, nenhum dos investigados foi formalmente acusado, e a Polícia Federal solicitou mais 90 dias para concluir as investigações.
“É incongruente manter a prisão preventiva se não há elementos suficientes para o oferecimento da denúncia”, afirma o despacho.
Medidas cautelares
Os investigados devem informar seu endereço atualizado em até dez dias, comunicar qualquer mudança de residência, comparecer a todos os atos do processo, apresentar-se mensalmente à Justiça, não deixar a cidade por mais de cinco dias sem autorização judicial e entregar o passaporte, caso possuam, para impedir viagens ao exterior.
Os alvarás de soltura já foram expedidos, e a liberação depende apenas dos procedimentos administrativos das unidades prisionais.
Enquadramento na Lei Antifacção
Na semana passada, o juiz Roberto Lemos dos Santos Filho, da 5ª Vara Criminal Federal de Santos, enquadrou Ryan SP e outros investigados na Lei Antifacção. Segundo o magistrado, os alvos estariam ligados a organizações criminosas como PCC e Comando Vermelho, que dominam territórios nacionais e atuam internacionalmente.
As investigações apontam uso de plataformas de apostas e rifas digitais para lavar recursos ilícitos, incluindo dinheiro do tráfico internacional de drogas. O esquema envolveria movimentações em espécie, transferências bancárias e operações com criptoativos, principalmente a moeda digital USDT (Tether).
