O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), criticou nesta terça-feira (30/6) a pressão recebida pela Casa sobre a tramitação de projetos e afirmou que a proposta que trata do fim da escala de trabalho 6×1 não deve ser utilizada para atender ao calendário eleitoral.
A declaração ocorreu durante um pronunciamento no plenário do Senado, enquanto Alcolumbre comentava críticas direcionadas ao Congresso Nacional e o andamento de matérias legislativas.
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê mudanças na escala 6×1 está parada há mais de um mês no Senado e ainda não foi encaminhada para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Durante o discurso, Alcolumbre afirmou que não aceita ataques contra o Legislativo e criticou a classificação do Congresso como “inimigo do povo”.
“Não aceito ofensas, agressões e ataques por aqueles que acusavam, outrora, outra autoridade, e que agora estão fazendo a mesma coisa com o presidente do Senado agora, e que no ano passado fizeram com o presidente da Câmara dos Deputados, colocando um carimbo como Congresso inimigo do povo”, declarou.
Segundo o presidente do Senado, há grupos tentando criar uma imagem negativa do Congresso junto à população.
“Nós temos a informação de quem está plantando isso na sociedade”, afirmou.
Ao citar diretamente a PEC da escala 6×1, Alcolumbre questionou a possibilidade de a proposta avançar com objetivo eleitoral.
“Eu tenho um discurso de uma autoridade importante do Brasil que disse que a PEC da escala 6×1 precisa ser deliberada agora antes da eleição, porque ela vai servir para o calendário eleitoral. Pode isso? Não pode isso, eu acho que não pode”, disse.
As declarações foram dadas no mesmo momento em que o senador comunicava o adiamento da votação da PEC dos agentes de saúde. A proposta enfrenta resistência devido ao impacto fiscal estimado em R$ 27,9 bilhões em dez anos.
Alcolumbre afirmou que a matéria continua na pauta do Senado e negou que tenha intenção de retirar o tema de discussão.
“Não tirei ela da pauta e não vou tirar ela da pauta, mesmo sendo agredido e atacado, muitas das vezes por todos os lados políticos do Brasil”, afirmou.
O presidente do Senado também disse que busca atuar em meio à polarização política no ano eleitoral e que sua posição de equilíbrio gera críticas de diferentes grupos.
“Seria mais cômodo escolher entre a esquerda e a direita. O que estou fazendo aqui, pagando um preço caríssimo, inclusive no CPF, é tentar equilibrar um país absolutamente dividido no ano da eleição”, declarou.
