A deputada estadual Leninha (PT) assumiu interinamente, pela terceira vez, a presidência da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). A nova passagem pelo comando da Casa reforça um marco histórico iniciado em sua primeira posse: ela segue sendo a primeira mulher negra a presidir a Assembleia de Minas em quase 200 anos de existência do Legislativo estadual. Leninha está à frente da ALMG desde o último sábado (20/6) e permanecerá no cargo até a próxima quinta-feira (25/6), período em que o presidente da Casa, deputado Tadeu Leite (MDB), exerce interinamente o Governo de Minas durante a viagem oficial do governador Mateus Simões (PSD) à Inglaterra.
A substituição ocorre porque Simões comunicou oficialmente à Assembleia que estará em missão institucional em Londres entre os dias 20 e 25 de junho. Com a licença do governador, Tadeu Leite assume o Executivo estadual e, consequentemente, Leninha, que é vice-presidente da Assembleia, passa a comandar o Legislativo mineiro.
“A história muda de direção”, diz Leninha
Ao comentar o momento, Leninha destacou o simbolismo de ser a primeira mulher negra a ocupar o principal cargo da Assembleia em quase dois séculos de história.
“Quando entramos na sala da Presidência da Assembleia Legislativa e olhamos as fotos de todas as pessoas que já ocuparam esse cargo ao longo da história, percebemos uma ausência que diz muito sobre a formação dos espaços de poder no nosso país: não há mulheres retratadas ali. Isso reflete uma longa trajetória de exclusão e de dificuldades para que mulheres, especialmente mulheres negras, tenham acesso aos espaços de decisão”, afirmou.
A deputada disse que sua chegada ao posto representa mais do que uma mudança administrativa.
“A presença de uma mulher negra nesse lugar é um sinal importante de que os espaços de poder precisam, cada vez mais, refletir a diversidade do povo mineiro. Cada passo nessa direção fortalece a democracia e ajuda a abrir caminhos para que outras mulheres também possam ocupar esses espaços”, declarou.
Parlamentar promete garantir funcionamento da Casa
Leninha afirmou que exercerá a função com responsabilidade durante o período em que estiver à frente do Legislativo.
“Recebo essa responsabilidade com honra e senso de dever público. Estarei à frente da Casa com o compromisso de garantir seu pleno funcionamento”, disse.
Em publicação nas redes sociais, a deputada voltou a destacar o significado histórico da posse interina.
“Quando uma mulher negra chega à presidência, não é só um cargo que muda de mãos, é a história que muda de direção”, escreveu.
Ela também afirmou que, ao observar a galeria de ex-presidentes da Assembleia, percebeu “o quanto os espaços de poder foram construídos sem a presença das mulheres, especialmente das mulheres negras”.
“Hoje, a história de Minas Gerais ganha um novo retrato, talvez por enquanto não imortalizado em suas paredes, mas eu sei, nós sabemos da sua importância”, concluiu.