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Por que tomar a vacina da gripe todo ano? Pneumologista explica a importância da imunização

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(Marcelo Camargo/Agência Brasil)

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Você já se perguntou por que, diferentemente de outras vacinas que protegem por anos ou até pela vida toda, a vacina da gripe precisa ser tomada novamente a cada temporada? A resposta está no comportamento do próprio vírus influenza — e ignorar essa dose anual pode ter consequências graves, especialmente para grupos mais vulneráveis.

A vacina da gripe é atualizada todos os anos porque o vírus sofre mutações constantes que alteram sua estrutura, tornando a proteção anterior insuficiente. Segundo a pneumologista Michele Andreata, médica especializada em atendimento domiciliar da Saúde no Lar, a imunização continua sendo a principal estratégia para evitar complicações, internações e mortes relacionadas à doença — mesmo quando não impede completamente o contágio.

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Por que a vacina da gripe precisa ser tomada todo ano?

O vírus influenza passa por um processo conhecido como deriva antigênica: suas proteínas de superfície se modificam com frequência, o que permite que ele escape parcialmente da imunidade construída por infecções ou vacinações anteriores.

“Todos os anos, a Organização Mundial da Saúde monitora os vírus circulantes no mundo e indica quais cepas têm maior probabilidade de predominar na próxima temporada. A partir dessa vigilância, a vacina é reformulada para oferecer proteção mais direcionada”, explica Michele Andreata, pneumologista da Saúde no Lar.

Ou seja, mesmo quem se vacinou no ano passado precisa de uma nova dose, já que a proteção diminui com o tempo e pode não corresponder às variantes em circulação no momento.

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Quem deve tomar a vacina da gripe com prioridade?

Alguns grupos apresentam risco elevado de desenvolver formas graves da doença e, por isso, têm prioridade nas campanhas de vacinação. São eles:

  • Idosos — o envelhecimento provoca um declínio natural da resposta imunológica
  • Crianças pequenas — o sistema imunológico ainda está em desenvolvimento
  • Gestantes — alterações imunológicas da gravidez aumentam a vulnerabilidade
  • Pessoas com doenças crônicas — diabetes, doenças cardiovasculares e respiratórias podem ser descompensadas pela infecção
  • Imunossuprimidos — a resposta do organismo ao vírus tende a ser menos eficiente

“No caso dos idosos, há um declínio natural da imunidade associado ao envelhecimento. Já nas pessoas com doenças crônicas, a gripe pode agravar o quadro de base, aumentando o risco de hospitalização e complicações graves”, alerta a pneumologista.

Qual é a eficácia real da vacina da gripe?

Uma dúvida comum entre os pacientes é se vale a pena tomar a vacina, já que ela não garante proteção total contra a infecção. A resposta da ciência é clara: vale — e muito.

“Nenhuma vacina oferece proteção absoluta contra infecção, especialmente no caso da influenza, que sofre mutações frequentes. No entanto, mesmo quando não impede totalmente o contágio, a vacina costuma tornar a doença mais leve, com menor duração e menor risco de complicações”, destaca Michele Andreata.

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O principal benefício da vacinação, portanto, não é apenas evitar pegar gripe, mas impedir que ela evolua para um quadro grave — reduzindo significativamente o risco de internações e óbitos.

Quais complicações a gripe pode causar em quem não está vacinado?

A gripe vai muito além de febre e mal-estar. Sem a proteção da vacina, a doença pode evoluir para quadros sérios, como:

  • Pneumonia viral ou bacteriana secundária
  • Insuficiência respiratória
  • Agravamento de asma e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC)
  • Descompensações cardiovasculares, incluindo infarto e insuficiência cardíaca
  • Internação em UTI e, nos casos mais graves, óbito

Em crianças, há risco de bronquiolite e outras infecções respiratórias graves. Em idosos, a evolução costuma ser mais rápida e silenciosa, com maior probabilidade de desfechos desfavoráveis.

Quais são os principais mitos sobre a vacina da gripe?

Mesmo com décadas de evidências científicas, alguns equívocos ainda afastam pacientes da vacinação. A Dra. Michele Andreata esclarece os mais frequentes:

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“A vacina causa gripe” — Não é verdade. Os imunizantes utilizados são feitos com vírus inativados ou fragmentos virais, incapazes de provocar a doença.

“Pessoas saudáveis não precisam se vacinar” — Outro equívoco. A vacinação de pessoas saudáveis ajuda a reduzir a circulação do vírus e protege indiretamente os mais vulneráveis.

“Já tomei uma vez, não preciso repetir” — Como o vírus muda a cada ano, a dose precisa ser atualizada anualmente para manter a proteção eficaz.

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“A ciência mostra de forma consistente que a vacina é segura, bem tolerada e uma das principais estratégias para reduzir complicações, internações e mortes relacionadas à gripe”, reforça a pneumologista.

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Carol Ferraris

Jornalista, pós graduada em produção de jornalismo digital pela PUC Minas. Produtora multimídia de entretenimento na Rádio 98, com passagens pelo Estado de Minas e TV Alterosa.

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