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A nova obsessão produtiva que nasce no coração do Vale do Silício

Por

Harlen Duque

Harlen Duque
  • 16/04/2026
  • 09:53

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Imagem ilustrativa de tecnologia e inteligência artificial | FOTO: FREEPIK

Imagem ilustrativa de tecnologia e inteligência artificial | FOTO: FREEPIK

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Palo Alto, na Califórnia, não é apenas mais uma cidade americana. Ela é um dos endereços mais simbólicos do Vale do Silício, a região que se tornou sinônimo mundial de inovação, startups e gigantes da tecnologia. É ali, entre escritórios, universidades, investidores e cafés lotados, que muitas das transformações digitais que moldam o mundo começam a ganhar forma concreta.

Por isso, observar o comportamento de Palo Alto é quase como olhar alguns minutos à frente do resto do mercado.

E o que está acontecendo agora por lá merece atenção.

Imagine a cena: sábado à tarde, cafés cheios em Palo Alto. Mas não há conversas animadas, nem encontros casuais, nem gente simplesmente aproveitando o fim de semana. O que se vê são telas abertas, códigos sendo escritos, prompts sendo testados, ideias sendo refinadas em tempo real.

Segundo o relato do médico brasileiro Bernardo Prechet, que vive na região, 8 em cada 10 laptops estavam rodando alguma ferramenta de inteligência artificial.

O nome informal desse comportamento já circula entre os insiders: token maxing.

Trata se de uma corrida silenciosa para extrair o máximo possível das ferramentas de IA aproveitar cada janela de uso, cada crédito, cada possibilidade de criação. Mas isso não é apenas uma curiosidade local. É um sinal de uma mudança mais profunda na forma como trabalhamos, competimos e, principalmente, na forma como passamos a enxergar o nosso próprio tempo.

A promessa que virou paradoxo

Durante anos, a grande narrativa em torno da inteligência artificial foi clara e sedutora. A tecnologia automatizaria tarefas repetitivas, reduziria esforço operacional e abriria espaço para uma vida mais leve, mais estratégica e mais humana.

A promessa era simples: a IA nos devolveria tempo.

Só que o que começa a surgir em lugares como Palo Alto aponta para uma direção bem diferente.

Em vez de liberar tempo, a IA está ocupando mais tempo. Em vez de aliviar a rotina, ela está criando uma nova pressão por produção contínua. Em vez de ampliar o espaço para descanso, ela está fazendo com que cada minuto livre pareça uma oportunidade desperdiçada.

Esse é o verdadeiro paradoxo da inteligência artificial nesta fase. A tecnologia que prometia aliviar a carga de trabalho começa, na prática, a incentivar uma cultura em que trabalhar mais parece não apenas possível, mas necessário.

O novo videogame da elite produtiva

Uma das frases mais fortes do relato de Bernardo Prechet resume com precisão esse novo momento: o novo videogame é o terminal.

A comparação é poderosa porque ajuda a explicar por que tanta gente está sendo puxada para esse comportamento quase compulsivo. A inteligência artificial transformou o trabalho em uma experiência que se parece com jogo.

Cada prompt funciona como uma tentativa. Cada resposta é um feedback instantâneo. Cada melhoria gera sensação de progresso. Cada ideia pode virar protótipo em minutos. Cada teste bem sucedido produz uma pequena descarga de satisfação.

Esse ciclo ativa mecanismos emocionais muito semelhantes aos dos videogames: recompensa rápida, repetição, desafio, progresso visível e expectativa pelo próximo resultado.

A grande diferença é que, agora, tudo isso vem embalado como produtividade.

Antes, passar horas em um jogo era entendido como entretenimento. Agora, passar horas diante de uma interface de IA parece estratégia, crescimento, construção de valor. O prazer continua presente, mas ele se disfarça de eficiência. E é exatamente aí que mora o risco.

A ilusão de que tudo virou oportunidade

Em ecossistemas como o de Palo Alto, onde se concentra parte importante da ambição tecnológica do mundo, existe uma sensação permanente de que a próxima grande oportunidade pode nascer a qualquer momento. A IA potencializou isso.

Hoje, uma única pessoa pode criar em poucas horas o que antes exigiria equipe, capital e muito tempo. Isso democratiza a criação, sem dúvida. Mas também gera um efeito colateral poderoso: a percepção de que tudo pode e deve ser feito imediatamente.

Se tudo parece viável, tudo parece urgente.

E quando tudo parece urgente, descansar passa a soar como omissão. Surge então uma ansiedade silenciosa, alimentada por perguntas que não são feitas em voz alta, mas que ecoam o tempo todo na cabeça de muita gente: se eu posso criar algo agora, por que estou parado? Se essa tecnologia me permite avançar tão rápido, por que eu não estou usando cada minuto? Se outros estão construindo sem parar, o que acontece comigo se eu desacelerar?

A IA não está apenas acelerando a execução. Ela está ampliando brutalmente o número de possibilidades. E possibilidades demais, quando não são acompanhadas de critério, podem se transformar em angústia.

Quando a produtividade vira competição

Se nos cafés de Palo Alto o comportamento já parece sintomático, dentro das grandes empresas ele ganha contornos ainda mais claros.

Um artigo de Jyoti Mann relatou um caso emblemático dentro da Meta. Funcionários passaram a competir internamente em um ranking de uso de inteligência artificial, construído por um próprio colaborador dentro da intranet da empresa. A lógica era simples: quem mais consumisse tokens, que são as unidades de processamento dos modelos, ganhava mais prestígio técnico.

O sistema atribuía títulos como Token Legend, Session Immortal e Cache Wizard. Em pouco tempo, o ranking deixou de ser apenas uma curiosidade e passou a funcionar como uma espécie de marcador simbólico de status.

Mais de 85 mil funcionários estavam potencialmente incluídos nesse ambiente. Em apenas 30 dias, foram consumidos 60 trilhões de tokens. O primeiro colocado teria usado, sozinho, cerca de 281 bilhões de tokens.

O comportamento recebeu um nome: tokenmaxxing. Ou seja, usar o máximo possível de IA para subir no ranking, chamar atenção e reforçar uma imagem de protagonismo técnico.

Mas é justamente aí que o tema deixa de ser apenas curioso e passa a ser revelador.

Mais atividade não significa mais resultado

O dado mais importante dessa história não está no volume de uso, mas no que ele revela sobre comportamento humano em ambientes orientados por métricas.

Nem todo mundo que aparecia bem colocado no ranking estava necessariamente produzindo mais valor. Segundo o relato, alguns funcionários deixavam agentes de IA rodando continuamente apenas para inflar seus números. Isso significa que mais consumo de tokens não era, obrigatoriamente, sinônimo de mais entrega, mais qualidade ou mais impacto.

Era, muitas vezes, apenas mais atividade.

A analogia implícita nesse fenômeno é excelente: medir produtividade por tokens é como medir um motorista pela quantidade de combustível que ele gasta. Gastar mais não quer dizer dirigir melhor. Pode significar apenas desperdício, ineficiência ou movimento sem direção clara.

Esse ponto é central porque expõe uma armadilha típica de toda era tecnológica: quando uma métrica passa a representar valor, as pessoas tendem a otimizar a métrica, e não necessariamente o valor real.

A nova moeda invisível do trabalho

O caso da Meta revela algo ainda maior. Em diferentes empresas de tecnologia, o uso de inteligência artificial começa a se transformar em critério de avaliação, sinal de atualização profissional e indicador de relevância interna.

Em outras palavras, os tokens deixam de ser apenas uma unidade técnica de processamento e começam a assumir papel simbólico. Eles viram uma espécie de moeda invisível do trabalho contemporâneo.

Quem usa mais parece mais moderno. Quem usa mais parece mais adaptado. Quem usa mais parece estar mais preparado para o futuro.

O problema é que, quando uma tecnologia deixa de ser ferramenta e passa a funcionar como marcador de prestígio, a relação com ela muda completamente. O objetivo já não é apenas produzir melhor. Passa a ser parecer mais avançado, mais rápido, mais alinhado com a nova era.

E isso altera a psique das pessoas.

O impacto na mente: produtividade, dopamina e autoexploração

Talvez o efeito mais profundo de tudo isso não seja econômico, mas psicológico.

A IA cria um ambiente de recompensa quase imediata. Você pede, ela responde. Você corrige, ela melhora. Você insiste, ela acelera. Esse fluxo constante alimenta uma sensação de potência, controle e avanço.

Isso é sedutor.

O cérebro humano responde muito bem a ciclos curtos de esforço e recompensa. É por isso que redes sociais prendem tanto. É por isso que videogames engajam tanto. E é por isso que as ferramentas de IA, em determinados contextos, podem se tornar quase hipnóticas.

Só que aqui existe um agravante: a pessoa não sente que está desperdiçando tempo. Ao contrário, ela sente que está sendo brilhante, eficiente, produtiva e visionária.

É uma forma sofisticada de autoexploração. A pessoa não está sendo empurrada apenas por um chefe, por uma meta ou por uma cobrança externa. Ela está sendo capturada por uma sensação interna de que sempre dá para fazer mais um pouco. Mais um teste. Mais uma versão. Mais uma automação. Mais uma ideia.

Com isso, o descanso perde legitimidade. A pausa começa a parecer preguiça. O silêncio parece atraso. O ócio parece culpa.

Quando parar vira uma competência rara

Esse talvez seja o grande desafio desta década.

Durante muito tempo, o mundo corporativo ensinou as pessoas a serem mais produtivas. Agora, com a IA, a produtividade pode escalar quase sem atrito. O problema é que ainda não aprendemos a criar limites saudáveis para essa nova abundância de capacidade.

Em ambientes como Palo Alto, essa pressão fica ainda mais visível porque a cultura local já valoriza intensidade, performance e velocidade. A IA apenas amplifica esse traço. Ela coloca combustível em uma mentalidade que já era orientada por alta performance.

O resultado é uma nova forma de exaustão. Não necessariamente a exaustão clássica de quem trabalha por obrigação, mas a fadiga de quem não consegue parar porque está permanentemente estimulado por possibilidades.

É um burnout menos visível, mais sofisticado e, talvez por isso mesmo, mais perigoso.

O risco de confundir presença tecnológica com inteligência estratégica

Nem toda empresa que usa muita IA está usando bem a IA. Nem todo profissional que passa horas com essas ferramentas está criando algo relevante. Nem todo volume de interação representa inteligência, avanço ou resultado.

A maturidade estratégica estará justamente em separar uso intenso de uso inteligente.

A tecnologia pode encurtar caminhos, mas também pode encher a agenda de movimentos vazios. Pode acelerar o que importa, mas também pode acelerar distrações com aparência de prioridade.

Esse discernimento será um diferencial enorme para líderes, empresas e profissionais nos próximos anos. Porque a vantagem competitiva não estará apenas em usar IA. Estará em saber onde ela realmente gera valor e onde ela apenas oferece a sensação sedutora de movimento.

Conclusão: a IA não está apenas mudando o trabalho, está mudando nossa relação com o tempo

O que começa a aparecer em Palo Alto e dentro de empresas como a Meta é mais do que uma curiosidade de nicho. É um sinal cultural.

A inteligência artificial não está apenas automatizando tarefas. Ela está redesenhando a forma como percebemos tempo, descanso, esforço, ambição e valor pessoal.

A promessa de ganhar tempo continua tecnicamente verdadeira. A IA, de fato, pode liberar horas, reduzir tarefas e ampliar eficiência. Mas a grande pergunta deixou de ser tecnológica. Ela passou a ser humana.

O que fazemos com o tempo que a tecnologia nos devolve?

Até aqui, a resposta parece desconfortável. Em vez de viver mais, estamos tentando produzir mais. Em vez de proteger o espaço do descanso, estamos preenchendo cada fresta com novas possibilidades de criação. Em vez de usar a tecnologia para equilibrar a vida, corremos o risco de deixar que ela ocupe todo o espaço disponível.

No fim, o problema não é a IA. O problema é o que passamos a valorizar quando ela entra em cena.

E talvez a competência mais importante do futuro não seja apenas saber usar inteligência artificial.

Talvez seja saber a hora de fechar a tela.

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CEO Sucesu Nacional e líder em transformação Digital na Wblio , especialista em transformação de negócios pela Stanford University , piloto de automobilismo virtual e um apaixonado pela cultura de inovação.

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