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BC corta Selic para 14,25% ao ano e mantém cautela diante da inflação e do cenário externo

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Redação

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  • 17/06/2026
  • 19:50

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A redução unânime do colegiado do Banco Central sinaliza a continuidade do plano de pouso suave para a atividade econômica nacional. (Foto: Leonardo Sá/Agência Senado)

A redução unânime do colegiado do Banco Central sinaliza a continuidade do plano de pouso suave para a atividade econômica nacional. (Foto: Leonardo Sá/Agência Senado)

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (17/6) reduzir a taxa básica de juros da economia brasileira em 0,25 ponto percentual, levando a Selic de 14,5% para 14,25% ao ano. A decisão foi unânime e marcou o terceiro corte consecutivo da taxa no mesmo ritmo.

O movimento já era esperado pela maior parte do mercado financeiro, mas o comunicado divulgado após a reunião indicou cautela da autoridade monetária diante das pressões inflacionárias, das incertezas fiscais no Brasil e das tensões geopolíticas no Oriente Médio.

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O ciclo atual de redução dos juros começou em março, quando a Selic estava em 15% ao ano. Desde então, o Banco Central realizou três cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual.

Banco Central evita indicar próximos passos

No comunicado, o Copom não sinalizou qual será o ritmo das próximas decisões e afirmou que a extensão do ciclo de cortes dependerá dos dados econômicos que serão divulgados nos próximos meses.

Segundo o colegiado, “a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta”.

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O Banco Central também destacou que o atual nível de restrição monetária permite diferentes trajetórias para os juros, mas ressaltou que os modelos utilizados para projeções estão sujeitos a um grau de incerteza maior do que o habitual.

Inflação segue acima da meta

A decisão ocorre em um momento em que a inflação continua distante do objetivo perseguido pela autoridade monetária.As projeções do mercado apontam inflação de 5,3% para 2026 e de 4,1% para 2027, ambos os índices acima da meta contínua de 3%.

O próprio Copom reconheceu que as expectativas seguem desancoradas e que os dados mais recentes mostraram aceleração da inflação cheia e das medidas subjacentes. Além disso, o comitê destacou que a inflação acumulada já superou o limite superior da meta, aumentando a preocupação com a convergência dos preços nos próximos anos.

Oriente Médio amplia cenário de incerteza

O Banco Central também dedicou parte do comunicado ao cenário internacional.

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Segundo o Copom, o ambiente externo permanece incerto devido à falta de clareza sobre um eventual acordo para encerrar os conflitos no Oriente Médio e aos impactos já provocados pelas tensões sobre os preços de ativos financeiros e commodities.

A avaliação ocorre mesmo após o anúncio de um acordo preliminar entre Estados Unidos e Irã para reabrir o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo.

Apesar do alívio inicial observado nos mercados, o BC ressaltou que a falta de informações concretas sobre os termos do entendimento ainda exige cautela por parte dos países emergentes.

Comitê vê mais riscos de alta para a inflação

Na avaliação dos integrantes do Copom, os riscos de alta para a inflação continuam predominando.

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Entre os fatores apontados estão a desancoragem das expectativas inflacionárias, possíveis impactos dos preços do petróleo e de eventos climáticos sobre alimentos e energia, a persistência da inflação de serviços e eventuais estímulos à atividade econômica acima do esperado.

Por outro lado, o Banco Central citou como riscos de baixa uma desaceleração mais intensa da economia brasileira, uma perda de ritmo mais forte da atividade global e uma eventual queda nos preços internacionais das commodities.

O próximo encontro do Copom está marcado para os dias 4 e 5 de agosto.

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Comunicado do Copom na íntegra

​O ambiente externo permanece incerto em função da indefinição sobre os termos do acordo para cessar os conflitos armados no Oriente Médio e as consequências dos efeitos já materializados desses conflitos até o momento, com reflexos nas condições financeiras globais. Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities.

Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores mostra aceleração da atividade econômica no primeiro trimestre do ano, com setores mais cíclicos voltando a desempenhar papel significativo, e mercado de trabalho ainda com sinais de resiliência. Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes aceleraram, distanciando-se adicionalmente da meta para a inflação, superando seu limite superior na última leitura.

As expectativas de inflação para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta, situando-se em 5,30% e 4,10%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o quarto trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,7% no cenário de referência (Tabela 1).

Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, permanecem mais elevados que o usual. Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se (i) uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado, com horizontes mais longos incorporando impactos potenciais de segunda ordem de choques de oferta, relacionados ao petróleo e seus derivados, e a efeitos climáticos sobre a produtividade agrícola e custos de energia; (ii) uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo; (iii) uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada; e (iv) estímulos à demanda agregada, em particular ao componente de consumo, que tenham como resultado o crescimento da atividade econômica acima do produto potencial, enfraquecendo parte dos canais usuais de transmissão da política monetária. Entre os riscos de baixa, ressaltam-se (i) uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação; (ii) uma desaceleração global mais pronunciada decorrente dos choques de comércio e do petróleo, e de um cenário de maior incerteza; e (iii) uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários.

O Comitê segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza. Os indicadores correntes de atividade econômica mostram recuperação em relação ao último trimestre de 2025, mantendo-se consistentes com uma trajetória de desaceleração no acumulado de 2026. O cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, e pressões no mercado de trabalho.

Nesse momento, as projeções de inflação apresentam distanciamento adicional em relação à meta no horizonte relevante para a política monetária. Ao mesmo tempo, a incerteza acerca dessas projeções permanece mais elevada que o usual, em função da falta de clareza sobre a trajetória dos condicionantes dos modelos de projeção analisados.

O período prolongado de manutenção da taxa básica de juros em patamar contracionista propiciou evidências da transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade econômica. Em decorrência da dinâmica dos riscos associados à evolução dos preços, o Comitê reafirma que a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta.

Na avaliação do Comitê, o grau de restrição acumulado pela política monetária permite diferentes trajetórias de taxas de juros compatíveis com a convergência da inflação para a meta. Os modelos de projeção, utilizando essas trajetórias da taxa básica entre seus condicionantes, estão sujeitos a incertezas acima das usuais na conjuntura atual. Essas incertezas se somam ao cenário de choques de oferta, o que fundamenta a graduação, ao menos parcial, de seus efeitos sobre a dinâmica futura de preços.

Nas simulações atuais, a trajetória de política monetária necessária para assegurar a convergência da inflação à meta, no atual horizonte relevante, implicaria que as taxas de inflação projetadas a partir do horizonte relevante vigente na próxima reunião estariam situadas abaixo da meta. Nessas condições, o Comitê avalia que trajetórias alternativas garantindo a convergência da inflação à meta no primeiro trimestre de 2028, o horizonte relevante a partir de sua próxima decisão, são compatíveis com a suavização na variação dos agregados macroeconômicos.

O Comitê julgou apropriado, nesse momento, dar sequência ao ciclo de calibração da política monetária, reduzindo a taxa básica de juros para 14,25% a.a.

No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti, e Rodrigo Alves Teixeira.

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