A Serra do Espinhaço ganhou um novo capítulo em sua história de riqueza ambiental com a descoberta de uma espécie inédita de uma planta no Norte de Minas Gerais. Batizada de Eriope barrinhae, a espécie foi encontrada durante expedições científicas realizadas no entorno do Parque Estadual Caminhos dos Gerais, em Monte Azul.
O nome da planta homenageia Alessandre Custódio Jorge, conhecido como “Barrinha”, gerente do parque e servidor do IEF (Instituto Estadual de Florestas). Há anos, ele atua na conservação ambiental e no apoio a pesquisas científicas na região.
“Fiquei honrado com a homenagem. Além da espécie pertencer à família Lamiaceae, que reúne diversas plantas aromáticas utilizadas em temperos e chás, esse reconhecimento simboliza uma trajetória dedicada à proteção da biodiversidade mineira”, afirmou Barrinha.
A Eriope barrinhae integra o gênero Eriope e apresenta características que a diferenciam de espécies semelhantes, como Eriope carpotricha e Eriope complicata. Entre os principais traços estão as pétalas de coloração lilás intensa e uma combinação exclusiva de pelos curtos e longos distribuídos de forma irregular em suas estruturas.
Segundo o pesquisador Danilo Zavantin, um dos autores da descoberta, a identificação da nova espécie foi possível graças à análise detalhada de suas características morfológicas.
“Esta nova espécie possui a cor lilás profunda das pétalas, em oposição às tonalidades mais claras observadas em espécies semelhantes, além de apresentar uma combinação única de pelos distribuídos de forma irregular”, explicou.
Descoberta destaca importância da Serra do Espinhaço
A descoberta reforça o papel da Serra do Espinhaço como um dos principais refúgios da flora brasileira. Até o momento, a Eriope barrinhae foi registrada apenas em uma área específica do Parque Estadual Caminhos dos Gerais, o que indica uma distribuição extremamente restrita e pode colocá-la em elevado risco de extinção.
Para os pesquisadores, esse cenário evidencia a necessidade de fortalecer políticas de conservação dos campos rupestres e de outros ecossistemas sensíveis da região, frequentemente pressionados por ações humanas.
O pesquisador Renato Ramos destaca que preservar espécies recém-descobertas pode gerar impactos positivos que vão além da ciência.
“Ao preservar uma espécie botânica específica, abrimos caminho para futuras pesquisas sobre possíveis propriedades culinárias ou medicinais, com potencial para gerar benefícios socioeconômicos para as comunidades locais”, afirmou.
Além de reconhecer a atuação de Alessandre Jorge, a escolha do nome da espécie simboliza a valorização dos profissionais que trabalham diretamente na proteção do patrimônio natural mineiro. Natural de Monte Azul, Barrinha é reconhecido por incentivar pesquisas e contribuir para ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade dos campos rupestres do Norte de Minas.
Pesquisa já revelou mais de 15 novas espécies
A descoberta da Eriope barrinhae faz parte das ações desenvolvidas pelo Plano de Ação Territorial para Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção do Espinhaço Mineiro (PAT Espinhaço Mineiro), coordenado pelo IEF entre 2020 e 2025, com apoio do Projeto Pró-Espécies.
A iniciativa também recebeu suporte do Programa Copaíbas, administrado pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) com recursos internacionais voltados ao fortalecimento das unidades de conservação e à proteção de comunidades tradicionais.
Os investimentos em pesquisa já renderam resultados expressivos. Desde 2023, as expedições realizadas na Serra do Espinhaço permitiram a descrição de mais de 15 novas espécies de plantas, consolidando o Norte de Minas como uma das regiões mais promissoras do Brasil para descobertas botânicas.
Entre elas estão a Barbacenia rupestris, encontrada na Serra do Pau D’Arco, e a Guapira leucophylla, árvore endêmica dos campos rupestres do Parque Estadual Serra Nova e Talhado, em Rio Pardo de Minas.
Para a analista ambiental do IEF, Gabriela Brito, os resultados demonstram que ainda há muito a ser conhecido sobre a flora da região.
“As descobertas evidenciam a riqueza biológica ainda pouco conhecida do Espinhaço Setentrional e demonstram a importância de fortalecer ações voltadas à pesquisa, à conservação e à geração de conhecimento sobre a biodiversidade mineira”, concluiu.
Com Agência Minas
