PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Entre a legalidade e a crise humanitária: especialista analisa desafios jurídicos da prisão de Maduro

Siga no

A discussão sobre a soberania nacional da Venezuela é outro ponto central da ação dos EUA contra Maduro (Divulgação)

Compartilhar matéria

A recente operação do governo dos Estados Unidos que resultou na retirada de Nicolás Maduro da Venezuela para julgamento em Nova York gerou um intenso debate sobre os limites do direito internacional. Em entrevista ao 98 Talks, Roberta Abdanur, advogada especialista em direito internacional e diretora de operações humanitárias da VV Inteligência Humanitária, trouxe uma análise técnica que equilibra o rigor das normas globais com a realidade drástica vivida pelo povo venezuelano.

A ilegalidade sob a ótica da ONU

Embora a prisão tenha sido celebrada por setores da oposição e por parte da comunidade internacional, Abdanur destaca que, estritamente sob a luz da legalidade, a operação caminha em terreno movediço. Segundo a especialista, a ação “é vista assim amplamente como ilícita justamente pelo artigo segundo da carta da ONU (Organização das Nações Unidas), devido ao uso da força contra outro estado [que] é proibido”.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Ela explica que a tentativa do governo Trump de invocar o Artigo 51 da Carta da ONU, que trata da autodefesa, é fortemente contestada no meio jurídico.

Para Abdanur, o narcotráfico não justifica uma intervenção militar desse porte, pois “faltaria o pressuposto fático jurídico de um ataque, no caso armado, atual ou iminente”. Além disso, a transferência unilateral de um chefe de estado para julgamento no exterior carece de uma base jurídica sólida no direito internacional atual.

Soberania em xeque e ‘responsabilidade de proteger’

A discussão sobre a soberania nacional da Venezuela é outro ponto central. Abdanur argumenta que a soberania do país já vinha sendo atacada internamente há décadas pelo próprio regime, que causou o deslocamento forçado de mais de 8 milhões de pessoas e promoveu assassinatos arbitrários contra civis e opositores. Além disso, a especialista menciona a presença de grupos armados estrangeiros, como milícias russas e a influência chinesa na extração de petróleo, como fatores que já fragilizavam a autonomia venezuelana.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Diante de crimes contra a humanidade, surge o conceito da “Responsabilidade de Proteger”, uma resolução da ONU de 2005. Contudo, Roberta ressalta que, embora existam elementos “moralmente compreensíveis” para a intervenção, não há uma força legitimadora jurídica, pois não houve autorização do Conselho de Segurança.

Impasse no Conselho de Segurança

A professora critica a paralisia do sistema internacional, muitas vezes bloqueado pelo poder de veto dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança (EUA, Rússia, China, França e Reino Unido). No caso da Venezuela, o apoio de China e Rússia ao regime de Maduro impede que medidas efetivas ou investigações avançadas sejam aprovadas.

Ela compara a situação com a crise na Síria, onde o uso de armas químicas não resultou em intervenção direta devido a bloqueios diplomáticos semelhantes. “O direito internacional é normativamente sofisticado, mas politicamente muito frágil”, pontuou o entrevistador, frase que resume a dificuldade de aplicar regras globais em contextos de alta tensão política.

Esperança e transição

Apesar das controvérsias jurídicas, Abdanur observa que muitos venezuelanos acolheram a operação como um sinal de esperança. Ela vê a Venezuela como um “caso muito específico” e não acredita que essa exceção se torne uma regra para outros países das Américas, embora demonstre preocupação com violações constantes em outras regiões, como no Oriente Médio.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Para o futuro, a especialista compartilha o desejo de muitos refugiados com quem trabalhou: “que o país tenha uma transição que discorra mais pacificamente, que tenha uma transição de governo como deveria ser feita”.

Compartilhar matéria

Siga no

Roberth R Costa

Atuo há quase 13 anos com jornalismo digital. Coordenador Multimídia. Rede 98 | 98 News

Webstories

Mais de Entretenimento

Mais de Mundo

Israel promete retaliação após Irã lançar mísseis em meio à escalada de tensão no Oriente Médio

Peru elege neste domingo 9º presidente em dez anos de crise política

Putin rejeita reunião com Zelenski e diz não ver motivo para negociar cessar-fogo

Senado dos EUA aprova US$ 70 bilhões para plano de deportações de Trump

Brasil vai integrar Conselho Econômico e Social da ONU

James Handy, ator de ‘Top Gun: Maverick’, morre aos 81 anos após ser esfaqueado em Los Angeles

Últimas notícias

Casal é levado à delegacia por gerar tumulto após confundir símbolo de quadrilha junina com estrela do PT 

Em jogo alucinante, Brasil vence a Itália e assume liderança da VNL Feminina

Após incêndio em garagem, frota reserva será usada para manter circulação dos ônibus em BH

Eriksen volta a desmaiar em campo, e amistoso entre Dinamarca e Ucrânia é encerrado

Cruzeiro se acerta com Racing por Gabriel Rojas

Moradores e funcionários ajudaram a salvar ônibus de incêndio que destruiu garagem no Dom Cabral: ‘parecia um inferno’

Wesley faz forte desabafo após ser cortado da Copa do Mundo 

VÍDEOS: Fumaça de incêndio no Dom Cabral é vista de diferentes pontos de BH

Vídeo: incêndio de grandes proporções atinge garagem de ônibus em BH