O retorno do Iraque à Copa do Mundo após quatro décadas de ausência tem como um dos principais símbolos o atacante Aymen Hussein. Artilheiro da seleção e decisivo na campanha que garantiu a vaga no torneio, o jogador carrega uma trajetória marcada por perdas familiares causadas pelos conflitos que atingiram o país nas últimas décadas.
Nesta terça-feira (16/6), os iraquianos voltam a disputar uma partida de Mundial ao enfrentar a Noruega. A classificação encerra um jejum de 40 anos da seleção conhecida como “Leões da Mesopotâmia” e ocorre em um contexto de reconstrução nacional após períodos de guerra, ocupação estrangeira, violência extremista e crises econômicas.
A história de Hussein se mistura a esse cenário. Em 2008, quando tinha 12 anos, perdeu o pai, integrante do Exército iraquiano, morto por integrantes da Al-Qaeda na região de Kirkuk. Anos mais tarde, outro episódio marcou a família: seu irmão mais velho desapareceu após ser sequestrado durante o período em que o grupo Estado Islâmico (ISIS) controlava parte do território iraquiano.
Apesar das dificuldades, o atacante seguiu no futebol. Ainda jovem, integrou as categorias de base da seleção iraquiana e chamou atenção de clubes locais. Em 2012, foi contratado pelo Dohuk, equipe da principal divisão do país. O desempenho em campo abriu caminho para passagens por equipes tradicionais do futebol iraquiano, como Al-Shorta, Al-Talaba e Al-Zawraa, onde se consolidou como um dos principais goleadores da liga nacional.
A carreira também teve passagem pelo futebol do Catar, onde atuou pelo Al Khor. Posteriormente, retornou ao Iraque para defender o Al Karma. Seu contrato mais recente foi avaliado em cerca de US$ 1 milhão, valor que o colocou entre os jogadores mais valorizados do futebol iraquiano.
Na seleção, Hussein tornou-se peça central da campanha rumo ao Mundial. O atacante foi um dos destaques da equipe durante as eliminatórias e participou da classificação obtida na repescagem contra a Bolívia.
