Ao menos três mulheres descobriram que estavam registradas como “presidente da República” na carteira de trabalho digital em Jaboatão dos Guararapes, em Pernambuco. O caso, mostrado pela TV Globo, veio à tona após uma técnica de enfermagem procurar emprego e identificar a informação incorreta no documento.
A primeira a relatar o problema foi Aldenize Ferreira da Silva, de 46 anos. Ela descobriu o registro ao acessar a carteira digital durante uma busca por vaga de trabalho na Agência do Trabalhador do município.
Segundo o cadastro, Aldenize ocupa o cargo de presidente da República desde 2002. Naquele ano, ela trabalhava como merendeira em uma escola da rede municipal de ensino.
O documento também mostra detalhes da remuneração registrada na época. O salário inicial informado era de R$ 201,60. Já o último pagamento, em dezembro de 2002, aparece no valor de R$ 15,42.
Aldenize afirmou que nunca havia utilizado a carteira digital até então. Desempregada há alguns anos, ela contou que passou a trabalhar apenas em atividades informais. Em 2023, concluiu o curso técnico de enfermagem e tenta uma recolocação no mercado desde então.
“Na hora me deu uma pane, assim, que eu me senti mal. Pensei em mil coisas, só pensei em coisas que poderiam acontecer, de eu ir presa, porque isso é falsificação”, relatou.
Aldenize também disse que se sentiu “como se fosse um palhaço fazendo graça para um público”.
Depois da repercussão do caso, outras duas mulheres procuraram a imprensa para relatar a mesma situação. Todas trabalharam na Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes em 2002. São elas: Claudia da Silva, de 53 anos, ex-educadora infantil da rede municipal e Suelane Fonseca, de 49 anos, auxiliar de serviços gerais vinculada à prefeitura.
Prefeitura aponta falha em migração de sistema
Em nota enviada à TV Globo, a Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes informou que o erro ocorreu durante a migração de dados do Sistema Empresa de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (Sefip) para o eSocial.
Segundo a administração municipal, a falha alterou registros de antigos servidores que ocupavam “cargo comissionado genérico”. Com isso, os trabalhadores passaram a aparecer como “presidente da República” na carteira digital.
A prefeitura informou que apura o problema para corrigir os dados das servidoras afetadas.
