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Dólar vai a R$ 5,08 com cenário eleitoral e tombo do petróleo

Por

Ludmila Souza

Agência Estado
  • 16/06/2026
  • 18:40

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(Foto: Reprodução/ Agência Brasil).

(Foto: Reprodução/ Agência Brasil).

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O dólar exibiu alta firme frente ao real nesta terça-feira (16/6) na contramão do comportamento da moeda americana no exterior, e flertou com o fechamento na linha de R$ 5,10. Operadores atribuem o tropeço do real a preocupações com o quadro fiscal, após nova pesquisa reforçar o favoritismo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na corrida presidencial, e ao tombo do petróleo, que levou à redução de posições baseadas na tese da melhora dos termos de troca.

A cautela antes da superquarta – com decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos – também contribuiu para a busca por posições defensivas. Há receio de que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), apesar do alívio nos preços do petróleo, adote um tom duro. Por aqui, a deflação do Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) de junho e o resultado fraco do varejo em abril sinalizam espaço para a continuidade do movimento de calibração da taxa Selic. O potencial estreitamento do diferencial de juros interno e externo, que ainda tende a se manter elevado, serviria de gatilho para uma moderação do apetite pelo real.

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Após uma queda na primeira hora de negócios, quando registrou mínima de R$ 5,0495, a moeda americana passou a operar em terreno positivo. Com máxima de R$ 5,1030, no fim da manhã, o dólar à vista fechou em alta de 0,39%, a R$ 5,0867. A divisa avança 0,50% nos dois primeiros pregões da semana e acumula valorização de 0,87% em junho, depois de avanço de 1,82% em maio No ano, as perdas são de 7,33%.

O economista Fabrizio Velloni avalia que o ambiente interno deve se tornar mais relevante para a formação da taxa de câmbio com um cessar-fogo mais prolongado no Oriente Médio e a proximidade das eleições. “A pesquisa eleitoral de hoje faz o mercado precificar a continuidade do atual governo e da política fiscal expansionista, o que se reflete no dólar e também na curva de juros”, afirma Velloni.

Pesquisa CNT/MDA, divulgada por volta das 11h, confirmou a desidratação da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), abalada desde o chamado Flávio Day 2.0, em 13 de maio, quando houve a revelação de ligação entre o senador e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Em simulação de primeiro turno, Lula passou de 39% para 31,8% de abril para cá, ao passo que Flávio recuou de 30% para 28,2%. No segundo turno, o presidente vence o senador por 49,3% a 36,8%. Em abril, a vantagem do petista era menor (45% a 40%).

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As cotações internacionais do petróleo caíram mais de 5%, dando sequência ao movimento de perdas da segunda-feira, diante da possibilidade de que o acordo de cessar-fogo traga autorização para a retomada imediata das exportações iranianas, segundo informação do The Wall Street Journal. O contrato do Brent para agosto fechou em baixa de 5,06%, a US$ 78,96 o barril – abaixo da marca de US$ 80 pela primeira vez desde março.

Sócio da Veedha Investimentos, Rodrigo Moliterno observa que a queda do petróleo é negativa para a bolsa local e pode ter levado à saída de recursos de investidores estrangeiros, em um momento no qual o fluxo para o país já está abalado pela rotação de carteiras favorável ao mercado acionário americano. “Temos também a questão eleitoral e a expectativa pela decisão do Copom amanhã. Isso está afugentando um pouco o investidor estrangeiro do nosso mercado”, afirma Moliterno.

Termômetro do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY operava em alta de 0,06% no fim da tarde, ao redor dos 99,550 pontos, após máxima de 99,791 pontos. O iene teve ligeira depreciação, a despeito de o Banco do Japão (BoJ), como esperado, ter elevado a taxa básica de juros de 0,75% para 1%, o maior nível desde 1995.

O estrategista de câmbio Francesco Pesole, do ING, observa que a manutenção do Dollar Index nos níveis atuais, apesar do tombo do petróleo na esteira do acordo entre Estados Unidos e Irã, sugere um “dólar estruturalmente mais forte”, com investidores mais atentos aos sinais dos bancos centrais.

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“Isso coloca a reunião do FOMC (comitê de política monetária do Fed) como ponto central para o câmbio. O dólar pode se manter resiliente, mas precisa de um aceno dos diretores do Fed, especialmente do novo presidente, Kevin Warsh, de que aumentos da taxa de juros são uma possibilidade real”, afirma Pesole, em nota.

Bolsa

O Ibovespa manteve queda no período da tarde desta terça-feira, 16, pressionado pelo recuo de mais de 5% do petróleo, pela expectativa de comunicações mais duras do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) e do Comitê de Política Monetária (Copom) nesta quarta-feira, 17, e pelo desconforto com o quadro fiscal. O último fator contou ainda com respaldo da Fitch, que reiterou nota de crédito do Brasil em ‘BB’ e perspectiva estável, sinalizando que a escala e a qualidade do ajuste fiscal dependerão de quem vencer as eleições do Brasil.

Desde cedo, a nova pesquisa CNT/MDA, que indicou vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa presidencial, também foi monitorada e adicionou prêmio de risco aos ativos domésticos. Em tese, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) traria uma agenda mais amigável ao mercado financeiro, mas a própria Fitch ponderou que a implementação das políticas é “altamente incerta”.

Após máxima aos 170.415,52 pontos, com variação zero, e mínima aos 169.121,31 pontos (0,76%), ambos pela manhã, o Ibovespa fechou em baixa de 0,45%, aos 169.648,47 pontos e com giro financeiro de R$ 27,51 bilhões.

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Braskem (-9%) liderou as perdas, pressionada pela decisão da Justiça de Alagoas de tornar a petroquímica “ré” por crimes ambientais relacionadas ao afundamento do solo em Maceió. Também foram destaques de baixa as ações consideradas cíclicas, mais sensíveis à expectativa de juros maior por mais tempo. Entre as blue chips, Petrobras cedeu cerca de 1%.

“O petróleo em baixa com o acordo entre EUA e Irã acaba pesando sobre o índice, que é bem relacionado a commodities, em especial de óleo e gás”, afirma o analista Matheus Spiess, da Empiricus.

Nesta terça-feira, o contrato do Brent para agosto fechou em queda de 5,06%, a US$ 78,96 por barril, com investidores avaliando o acordo entre EUA e Irã que pode autorizar a retomada imediata das exportações iranianas como parte dos termos para encerrar o conflito. Foi a primeira vez desde março a fechar aquém do nível de US$ 80.

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Em termos domésticos, por mais que as vendas no varejo tenham tido em 2026 o pior abril desde 2020, a expectativa dos investidores ainda é de que o Copom traga um comunicado mais duro na reunião da quarta, bem como o Fed. “A realidade ainda é de um mercado de trabalho forte e inflação ruim qualitativamente, de modo que, consequentemente, o espaço para corte de juros acaba sendo restrito”, afirma Spiess, destacando que nomes mais sensíveis a juros, com empresas mais alavancadas ou associadas ao ciclo doméstico, são destaque de baixa nesta terça.

O economista e analista Marcos Vinícius Oliveira, da ZIIN Investimentos, nota que há chance de o Copom indicar uma pausa na flexibilização monetária na reunião da quarta. “Mercado já tem tido mais cautela com relação à política monetária, principalmente por dados de atividade no Brasil e inflação ainda pressionada”, comenta.

A curva de juros voltou a abrir nesta terça-feira, em movimento atribuído ainda a desconforto com o resultado da pesquisa eleitoral CNT/MDA, que mostrou fortalecimento das intenções de voto do presidente Lula. Para Oliveira, da ZIIN Investimentos, a deterioração de Flávio Bolsonaro voltou a aparecer e faz preço, principalmente porque era visto como um candidato que poderia rivalizar com Lula e trazer mais potencial de alta para a renda variável.

Se houver reeleição de Lula, a chance de uma reforma mais profunda na questão fiscal acaba sendo reduzida, segundo Spiess, da Empiricus.

A decisão da Fitch de manter a nota de crédito do Brasil em ‘BB’, com perspectiva estável’, não fez preço propriamente dito.

Para Oliveira, da ZIIN Investimentos, a agência de classificação de risco poderia até ter sido mais pessimista, dado que há uma falta de sinalização do governo e da oposição de algum compromisso mais crível com o fiscal.

Juros

Os juros futuros fecharam o dia em alta, num movimento de correção após os últimos dias de alívio nos prêmios de risco, puxada por fatores domésticos. No exterior, a terça-feira, 16, foi de queda firme do petróleo e nos rendimentos dos Treasuries, mas as taxas locais não acompanharam. Trouxeram desconforto aos agentes pesquisas eleitorais negativas para o senador Flávio Bolsonaro (PL-SP), além da piora do câmbio.

No fechamento, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 tinha taxa de 14,255%, estável ante o ajuste de segunda, enquanto o DI para janeiro de 2028 projetava taxa de 14,420%, ante 14,355% no ajuste também de segunda. A taxa do DI para janeiro de 2029 estava em 14,405% (de 14,329%) e a do DI para janeiro de 2031 passava de 14,251% para 14,285%.

Ao longo da primeira etapa, o recuo do petróleo, o varejo fraco e o IGP-10 perto do piso das estimativas mantinham as taxas em queda. A trajetória ascendente começou a tomar corpo no fim da manhã, por volta das 11h, após a divulgação da pesquisa CNT/MDA, segundo a qual o presidente Lula ampliou a vantagem ante o pré-candidato do PL, Flávio Bolsonaro, considerado o principal nome da direita. Num eventual segundo turno, Lula, com 49,3% das intenções de voto, venceria Flávio, que aparece com 36,8%. No levantamento de abril, esses porcentuais era de 45% e 40%.

“A pesquisa CNT indicou o presidente Lula abrindo ainda mais vantagem em relação a Flávio Bolsonaro. A continuidade do governo Lula implica deterioração das contas públicas”, explicou Gean Lima, gestor de portfólio da Connex Capital. “O dólar também subiu próximo a R$ 5,10 piorando o quadro para inflação”, completou.

A pesquisa CNT/MDA se somou a dois outros levantamentos divulgados mais cedo que também indicaram cenário difícil para Flávio. A pesquisa Futura/Apex trouxe Lula com 48,1%, e o pré-candidato do PL com 42,9% em eventual segundo turno. Já a RealTime Big Data apontou o senador com 47% e Lula com 44%, em quadro tecnicamente empatado.

O estrategista-chefe de Macro e Dívida Pública da Warren, Luis Felipe Vital, considera o movimento das taxas desta terça como um ajuste, que teve como argumento o quadro eleitoral. “A pesquisa (CNT/MDA) não mostra uma mudança grande em relação a outras que a gente vinha vendo. Está mais para continuidade daquele movimento que é, talvez, um cenário de eleição de Lula se fortalecendo versus um cenário de Flávio Bolsonaro”, afirma.

Vital lembra que a questão fiscal, que está embutida na leitura das pesquisa, vinha sendo destaque nas últimas semanas, com a votação das “pautas-bomba” no Congresso e mais medidas do governo, mas o ambiente externo estava muito pesado e se sobressaía. Agora, com a perspectiva de fim de guerra e abertura do Estreito de Ormuz, deve haver uma redução na pressão inflacionária que pode ajudar no alívio da política monetária. O petróleo caiu mais de 5%, com o tipo Brent fechando abaixo dos US$ 80 pela primeira vez desde março. “O BC vai ter um mercado menos pressionado para decidir”, afirma, sobre o Copom de amanhã

A aposta de corte de 25 pontos-base na Selic nesta quarta-feira segue predominante com as opções digitais na B3 mostrando 84% de probabilidade, contra 16% de chance de manutenção em 14,50%. Os indicadores da manhã, de certo modo, dão conforto. As vendas no comércio recuaram 1,5% em abril na margem, pelo conceito restrito, perto do piso das estimativas (-1,6%). No ampliado, o recuo de 0,7% foi maior do que apontava o piso (-0,6%). Ao mesmo tempo, o IGP-10 de junho caiu 0,30%, perto do piso das expectativas (-0,35%).

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