A deputada federal Erika Hilton (PSOL) utilizou as redes sociais nesta terça-feira (23/6) para questionar os critérios da direção do PSOL na distribuição dos recursos do fundo eleitoral para a campanha de 2026. Pré-candidata à reeleição, a parlamentar afirma que a legenda está descumprindo acordos firmados anteriormente com as lideranças que possuem maior potencial de votos nos estados.
De acordo com Erika, as garantias financeiras foram combinadas para que o grupo ajudasse o PSOL a superar a cláusula de barreira, norma que define o acesso dos partidos aos recursos do fundo partidário e ao tempo de propaganda em rádio e televisão.
O questionamento da deputada tem como base uma proposta de divisão de verbas que está em debate no diretório nacional da sigla. Pelo texto atual, Erika Hilton receberia repasses semelhantes aos de candidatos que disputam um cargo público pela primeira vez, como o ex-presidente da Federação PSOL-Rede, Juliano Medeiros.
A parlamentar também citou que Manuela D’Ávila, que se filiou recentemente ao partido e é pré-candidata ao Senado pelo Rio Grande do Sul, tem previsão de receber mais que o dobro do montante destinado à sua campanha em São Paulo. Erika obteve 257 mil votos nas eleições de 2022 e ganhou projeção nacional recente ao liderar a pauta pelo fim da escala de trabalho 6×1.
Questionamento sobre critérios de inclusão
Em sua manifestação, a deputada argumentou que a atual proposta prioriza candidaturas de perfis específicos e criticou o que chamou de sobreposição do privilégio branco e cisgênero sobre os cálculos eleitorais da legenda.
“O PSOL precisa cumprir os acordos que fez conosco. E não está cumprindo. Está rasgando nossos combinados e praticamente nos inviabilizando”, afirmou a congressista, que se declarou decepcionada com a situação.
Erika Hilton apontou ainda que, por ser uma deputada negra e travesti, sua campanha pelo estado de São Paulo demanda uma estrutura complexa de logística e de segurança para garantir sua integridade física. Na publicação, ela acusou a presidenta nacional da sigla, Paula Coradi, de desestruturar a política nacional de inclusão que previa ajustes nos repasses por gênero, raça e para pessoas com deficiência (PCD). Segundo a parlamentar, outros nomes da legenda, como Renata Souza, Carlos Giannazi e Rick Azevedo, passam pelo mesmo problema.