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Hantavírus pode causar uma pandemia como a Covid? O que dizem os especialistas

Por

Kellen Lanna

Kellen Lanna
  • 15/05/2026
  • 15:36

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(Foto: Divulgação/ Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais).

(Foto: Divulgação/ Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais).

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A confirmação de um surto de Hantavírus na Argentina levou muitas pessoas a compararem a enfermidade com a Covid-19. Apesar de haver uma variante específica do vírus que pode ser transmitida entre pessoas, especialistas afirmam que o comportamento da doença é bastante diferente e não há indicativos de que ela tenha potencial para provocar uma pandemia.

Segundo o médico infectologista Leandro Curi, a principal forma de transmissão da hantavirose continua sendo o contato indireto com fezes, urina e saliva de roedores silvestres. “O rato roedor silvestre é o grande responsável porque elimina fezes, urina e saliva contendo o vírus, que podem ficar espalhados no ambiente”, explicou.

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A comparação com a Covid-19 surge por causa da variante conhecida como hantavírus dos Andes, identificada no Chile e na Argentina. Nesses casos, pode haver transmissão entre pessoas em situações de contato próximo e prolongado, em ambientes fechados.

“É nesse ponto que o Hantavírus lembra a Covid. Não que a doença seja parecida, mas a transmissão por gotículas em ambientes fechados se assemelha ao coronavírus”, disse o infectologista.

O episódio mais recente ocorreu a bordo do navio MV Hondius, onde foi identificada justamente a cepa Andes, a única com capacidade comprovada de transmissão entre seres humanos.

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Até o momento, não há indícios de transmissão fora do cruzeiro. Os passageiros já deixaram o navio e seguem sendo acompanhados pelas autoridades sanitárias dos países onde residem.

Minas Gerais confirmou um caso de hantavirose em 2026. O registro foi feito em fevereiro e evoluiu para óbito. O diagnóstico foi confirmado pela Fundação Ezequiel Dias. A vítima era um homem de 46 anos, morador de Carmo do Paranaíba, no Alto Paranaíba, com histórico de exposição a roedores silvestres em lavoura e paiol.

Por que o hantavírus não tem potencial pandêmico?

Segundo o especialista, a semelhança com a Covid-19 termina na forma de transmissão. “Não existe o risco de uma pandemia se espalhar por causa da hantavirose dos Andes”, afirmou. “O Covid tinha uma dispersão no ar muito maior. A hantavirose é bem mais restrita.”

A avaliação é compartilhada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que informou não haver sinais de disseminação da doença neste momento. Isso ocorre porque os hantavírus têm como hospedeiros naturais os roedores e apenas ocasionalmente infectam seres humanos.

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Nos casos raros em que ocorre a contaminação humana, o ciclo de transmissão tende a se interromper no próprio paciente, já que a transmissão entre pessoas é incomum. Além disso, esses vírus apresentam baixa taxa de mutação, o que reduz sua capacidade de adaptação e expansão em larga escala.

Outra explicação é a velocidade com que a doença evolui. O hantavírus pode levar o paciente a um quadro grave em pouco tempo, reduzindo a possibilidade de que a pessoa infecte um grande número de contatos. Além disso, a transmissão entre humanos depende de circunstâncias muito específicas, como convivência próxima e prolongada em ambientes fechados.

Como os sintomas costumam ser intensos e debilitantes, os pacientes geralmente apresentam febre alta, dores musculares e dificuldade respiratória, o que limita a circulação e diminui ainda mais as chances de propagação.

O episódio recente envolvendo passageiros em um navio na região da Patagônia é considerado pelos especialistas uma situação excepcional, favorecida por fatores como espaço confinado, contato intenso entre pessoas e ausência de renovação de passageiros. A cepa envolvida foi justamente o vírus Andes, já conhecido por apresentar transmissão interpessoal.

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“Diferentemente da Covid-19 e da influenza, em que uma pessoa infectada pode transmitir o vírus para dezenas de outras em um ambiente cotidiano, o hantavírus depende de circunstâncias ambientais muito particulares”, ressaltou o infectologista.

Alta letalidade

Embora a disseminação seja limitada, a hantavirose pode ser grave. A taxa de letalidade varia entre 20% e 50%, dependendo da rapidez do diagnóstico e do suporte médico oferecido.

De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil registrou aproximadamente 2,4 mil casos de hantaviroses entre 1993 e março de 2026, com cerca de 960 mortes. Entre 2004 e 2011, o país concentrou o maior número de notificações, com até 182 casos por ano. Em alguns períodos, a letalidade superou 50%.

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Sem vacina e sem tratamento específico

Outra diferença importante em relação à Covid-19 é que a hantavirose não possui vacina nem tratamento antiviral específico. O atendimento é feito com medidas de suporte para tratar complicações que podem atingir pulmões, rins e coração.

Apesar da gravidade individual dos casos, especialistas destacam que a doença é conhecida há décadas e monitorada pelas autoridades de saúde. “A suspeição clínica e o diagnóstico bem feitos são fundamentais quando a pessoa apresenta sintomas”, afirmou o infectologista.

Minas Gerais

Em Minas Gerais, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) reforça que o cenário é diferente do observado na Argentina. No estado, a hantavirose está relacionada ao contato com roedores silvestres, sobretudo em áreas rurais, e a variante identificada no Brasil não apresenta transmissão de pessoa para pessoa.

Segundo o secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, não há motivo para preocupação com uma disseminação semelhante à da Covid-19. “Muitas pessoas ficaram preocupadas, mas é importante esclarecer que não há transmissão de pessoa para pessoa. O vírus circula em roedores silvestres, especialmente em áreas rurais. São casos isolados, como já ocorreram em outros anos no estado”, afirmou.

Casos registrados no estado

Até o momento, Minas Gerais confirmou um caso de hantavirose em 2026. O registro foi feito em fevereiro e evoluiu para óbito. O diagnóstico foi confirmado pela Fundação Ezequiel Dias. A vítima era um homem de 46 anos, morador de Carmo do Paranaíba, no Alto Paranaíba, com histórico de exposição a roedores silvestres em lavoura e paiol.

Segundo dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), Minas Gerais registrou seis casos confirmados da doença em 2025, com quatro mortes. Em 2024, foram oito casos, também com quatro óbitos.

Como se proteger

A prevenção da hantavirose depende principalmente de medidas para evitar o contato com resíduos de roedores silvestres, principal fonte de transmissão do vírus.

Antes de entrar em galpões, paióis, depósitos ou casas de campo que permaneceram fechados por longos períodos, a orientação é abrir portas e janelas e manter o ambiente ventilado por pelo menos 30 minutos. Isso ajuda a dispersar partículas que possam estar suspensas no ar.

Na hora da limpeza, o ideal é umedecer o chão e as superfícies com uma solução de água e água sanitária antes de varrer. A recomendação é evitar a varrição a seco, já que a poeira pode carregar partículas contaminadas e facilitar a inalação do vírus.

Outras medidas importantes incluem armazenar alimentos em recipientes fechados, eliminar entulhos e materiais acumulados ao redor das residências e vedar frestas que possam servir de abrigo ou passagem para ratos.

A SES-MG destaca que a doença ocorre de forma pontual e exige monitoramento constante, especialmente em municípios com características rurais. O estado mantém ações permanentes de vigilância, com capacitação de profissionais e apoio técnico às secretarias municipais de saúde.

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Jornalista graduada pela UFSJ. Supervisora de distribuição na 98 FM/ 98 News.

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